Departamento de Justiça afirma que grupo vinculado à Rússia recrutava colaboradores para vigiar dissidentes e atacar alvos nos EUA e na Europa. (Foto: GAVRIIL GRIGOROV/SPUTNIK/KREMLIN/EFE/EPA)
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (15) acusações contra cinco pessoas que, segundo promotores federais, integravam uma rede ligada aos serviços de inteligência da Rússia destinada a organizar assassinatos e ataques terroristas nos Estados Unidos e em países aliados da Ucrânia.
A acusação afirma que o grupo tentou contratar pessoas em território americano para vigiar e assassinar opositores russos. Os suspeitos também teriam recrutado colaboradores para atacar instalações civis e militares na Europa, inclusive com incêndios e ações contra infraestrutura elétrica. Os cinco acusados continuam foragidos.
Entre os denunciados estão Yuri Khrameev, de 63 anos, descrito pelo Departamento de Justiça como ex-coronel dos serviços de inteligência russos, e seu filho, Kirill Khrameev, de 27 anos, apontado como oficial do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB). Também foram acusados os cubanos Oemis Romagoza Durruthy e Yaidel Delgado Suarez e o venezuelano Angel Eduardo Castro.
Segundo os investigadores, a rede atua desde pelo menos 2024 e tinha entre seus principais alvos dissidentes e desertores russos. Mais recentemente, teria ampliado as operações para países considerados por Moscou como apoiadores da Ucrânia.
Um dos episódios descritos pelos promotores ocorreu neste ano nos Estados Unidos. Suarez e Castro teriam recrutado uma pessoa para vigiar um conhecido dissidente russo que acreditavam estar vivendo no país. A fonte recebeu endereços ligados ao alvo, fotografou os locais e entregou o material ao grupo.
Após a etapa de vigilância, os acusados teriam oferecido a essa pessoa US$ 40 mil para que o dissidente fosse “eliminado” ou “desaparecesse”. Quando a pessoa recusou executar o assassinato, os suspeitos perguntaram se ela conhecia alguém disposto a realizar o serviço e afirmaram que poderiam recorrer a pessoas no México.
Outro plano citado na denúncia teria ocorrido em 2025. Kirill Khrameev recrutou um cidadão americano para vigiar uma pessoa que vivia na Lituânia e era descrita pela rede como alguém que “falava mentiras sobre a Rússia”. Depois da vigilância, Yuri Khrameev teria oferecido aproximadamente US$ 25 mil para matar o alvo.
Diante da recusa, o ex-coronel teria proposto outros serviços, como incendiar depósitos de mercadorias ou alimentos e atacar uma subestação elétrica. Segundo a denúncia, Khrameev afirmou que o objetivo era atingir países que apoiavam a Ucrânia e ofereceu pagamento elevado pelas ações.
O Departamento de Justiça também atribui à rede participação na organização de ataques na Europa. Promotores afirmam que Durruthy ajudou a coordenar uma ação em Praga, na República Tcheca, em junho de 2024, fornecendo possíveis alvos e auxiliando no deslocamento de um participante. Três meses depois, ele teria organizado a logística de outro ataque na Lituânia.
O procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que as autoridades americanas têm a obrigação de impedir que adversários estrangeiros promovam violência em território americano. O chefe da divisão de Segurança Nacional do Departamento de Justiça, John Eisenberg, disse que o grupo funcionava, segundo a acusação, como uma rede internacional de assassinatos que tentou recrutar americanos e estrangeiros para matar pessoas por ordem de agentes russos.
Os cinco denunciados foram acusados de conspiração para financiar terrorismo, crime que pode resultar em até 20 anos de prisão. Yuri Khrameev, Suarez e Castro também respondem por conspiração para cometer assassinato mediante pagamento, cuja pena máxima prevista é de dez anos.


