O presidente Donald Trump durante encontro do Escudo das Américas nesta terça (22). (Foto: Casa Branca/EFE)
Nesta terça-feira, 22 de setembro, os Estados Unidos e 14 países vizinhos firmaram um pacto histórico em Nova York para combater o crime organizado no continente. A aliança, batizada de Escudo das Américas, mira 24 grupos narcoterroristas, incluindo os brasileiros PCC e Comando Vermelho. O objetivo é asfixiar financeiramente essas organizações e impedir a circulação de seus líderes e colaboradores.
Quais punições os países planejam aplicar contra os criminosos?
Os governos envolvidos pretendem agir de forma coordenada para atingir o ponto mais sensível das facções: o dinheiro. As medidas incluem o congelamento imediato de contas bancárias e bens materiais, além de restrições severas de vistos e impedimentos de imigração para quem tiver qualquer ligação com as organizações. Um ponto importante é que as leis nacionais serão usadas para responsabilizar criminalmente qualquer pessoa que forneça apoio material ou logístico, mesmo que indireto, sabendo que está ajudando um grupo da lista oficial de sanções criminais da coalizão.
Quais são os grupos atingidos e por que o Brasil ficou de fora do anúncio?
A lista foca em 24 organizações consideradas narcoterroristas. Entre os nomes mais conhecidos estão o PCC e o Comando Vermelho (Brasil), o Tren de Aragua (Venezuela), os cartéis de Sinaloa e Jalisco Nueva Generación (México) e grupos colombianos como o ELN e dissidências das Farc. O Brasil e o México, atualmente sob gestões de esquerda, optaram por não integrar o Escudo das Américas neste momento. No entanto, o PCC e o CV já são classificados pela Casa Branca como grupos terroristas, o que permite que os EUA apliquem sanções individuais independente da participação brasileira.
Como o governo americano justifica esse endurecimento nas medidas?
O presidente Donald Trump afirmou que os cartéis e facções estão travando uma verdadeira guerra contra os povos do hemisfério ocidental e que os países decidiram revidar na mesma moeda. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, destacou que o crime organizado evoluiu e hoje muitas facções possuem recursos financeiros e militares que rivalizam com as capacidades de Estados inteiros. Por serem grupos que não respeitam fronteiras e mantêm conexões internacionais sofisticadas, a avaliação é de que apenas uma resposta conjunta e unificada dos governos será capaz de conter o avanço dessas redes.
O plano de combate ao crime prevê ações além das sanções econômicas?
Sim, a aliança quer levar o tema para a Organização dos Estados Americanos (OEA) e utilizar o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) para facilitar ações coletivas. Além do bloqueio de dinheiro, os países concordaram em aumentar o compartilhamento de inteligência policial, dar acesso mútuo a tecnologias de segurança e realizar treinamentos conjuntos de tropas. Há também um foco econômico e diplomático: a coalizão quer proteger setores estratégicos como gasodutos e rotas comerciais de influências estrangeiras hostis e garantir que a infraestrutura digital do continente seja confiável.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.


