O Pentágono está pressionando o Japão e a Austrália a deixarem claro qual papel desempenhariam caso os EUA e a China entrassem em guerra por Taiwan, em um esforço que tem frustrado os dois aliados mais importantes dos Estados Unidos no Indo-Pacífico. Elbridge Colby, subsecretário de Defesa, tem insistido na questão em reuniões com autoridades de Defesa japonesas e australianas nos últimos meses, segundo cinco pessoas familiarizadas com as discussões. Essa iniciativa é o esforço mais recente de Colby para convencer os aliados dos EUA no Indo-Pacífico a reforçarem a dissuasão e se prepararem para uma possível guerra por Taiwan. Um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA se recusou a comentar o pedido relacionado a Taiwan, mas destacou que o “tema central” das conversas de Colby com os aliados era “intensificar e acelerar os esforços para fortalecer a dissuasão de forma equilibrada e equitativa”. O funcionário enfatizou que os esforços do Pentágono estavam “focados em prevenir a guerra, com um forte escudo de dissuasão”. “Isso exige força —mas é um fato simples que nossos aliados também devem fazer sua parte”, disse ele. “Não buscamos a guerra. Tampouco buscamos dominar a China. O que estamos fazendo é garantir que os Estados Unidos e seus aliados tenham força militar suficiente para respaldar a diplomacia e garantir a paz.” As conversas incluem esforços para persuadir os aliados a aumentarem os gastos com Defesa, em meio à crescente preocupação com a ameaça da China a Taiwan. Mas o pedido por comprometimentos relacionados a uma guerra pela ilha é uma nova exigência dos EUA. “Planejamento operacional concreto e exercícios com aplicação direta a um cenário de contingência em Taiwan estão avançando com Japão e Austrália”, disse uma das fontes. “Mas esse pedido pegou Tóquio e Canberra de surpresa, pois os próprios EUA não oferecem uma garantia irrestrita [de proteção] a Taiwan.” Os EUA mantêm há muito tempo uma política de “ambiguidade estratégica”, segundo a qual não declaram se defenderiam a ilha. O ex-presidente Joe Biden, em quatro ocasiões, contrariou essa política e afirmou que os EUA interviriam. Já Donald Trump, como outros presidentes, recusou-se a dizer o que faria. Zack Cooper, especialista em Ásia do Instituo American Enterprise, afirmou: “É muito difícil conseguir que aliados forneçam detalhes sobre o que fariam em um conflito envolvendo Taiwan quando nem conhecem o contexto do cenário nem a própria resposta dos EUA.” “O presidente Trump não se comprometeu a defender Taiwan, então é irreal que os EUA peçam comprometimentos claros de outros países.” A pressão tem sido dirigida a autoridades de defesa japonesas e australianas, e não a níveis mais altos. Uma segunda fonte disse que houve um “erguer de sobrancelhas coletivo” por parte de representantes do Japão, da Austrália e de outros aliados dos EUA. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Ministério da Defesa do Japão afirmou que é “difícil responder a uma pergunta hipotética sobre uma ‘emergência em Taiwan’.” Disse ainda que qualquer resposta “seria implementada de forma individual e específica, de acordo com a Constituição, o direito internacional e as leis e regulamentos domésticos”. A embaixada da Austrália nos EUA não comentou. A pressão de Colby ocorre após outras ações que geraram preocupação. O Financial Times informou no mês passado que ele estava revisando o acordo de segurança Aukus, que permitirá a Canberra adquirir submarinos movidos a energia nuclear. Colby também instou os militares europeus a reduzirem o foco no Indo-Pacífico e se concentrarem mais na região atlântica. O FT também informou recentemente que o Japão cancelou uma reunião ministerial de alto escalão com os EUA depois que Colby aumentou abruptamente o pedido americano por mais gastos com Defesa. O Pentágono foi forçado a defender Colby nos últimos dias após reportagens indicarem que ele foi responsável pela decisão de bloquear armas para a Ucrânia, que foi revertida pouco depois pelo presidente. Mas o debate sobre o planejamento em relação a Taiwan ocorre enquanto Tóquio e Canberra sentem pressão de Trump para aumentar os gastos, o que aliados de Colby dizem ser muito importante, dado o aumento da ameaça chinesa na região do Indo-Pacífico. “Estamos nos dirigindo a nossos aliados no Indo-Pacífico, muito parecido com o que o presidente fez na Europa, e dizendo: este é o ambiente de ameaça”, disse o funcionário americano. “Obviamente, algumas dessas são conversas difíceis, inclusive sobre os gastos com defesa. Mas acreditamos que isso nos deixará a todos em uma situação melhor.” O funcionário disse que o governo está confiante de que Japão e Austrália aumentarão os gastos com defesa mais rapidamente do que os aliados europeus. “Acreditamos que não deve —e nem pode— levar 20 anos. Não apenas porque isso é do nosso interesse, mas porque também é do interesse dos aliados no Indo-Pacífico.” A situação é particularmente sensível para o Japão, porque a pressão por mais gastos —incluindo uma feita publicamente por Colby, que foi rebatida pelo primeiro-ministro Shigeru Ishiba— ocorre às vésperas das eleições para a Câmara alta do país, em 20 de julho. O funcionário afirmou que os EUA compreendem que precisam ser sensíveis às considerações políticas dos aliados. “Isso é algo que todos nós temos que lidar”, disse o funcionário. “É difícil, mas as coisas simplesmente precisam se tornar mais justas e equitativas para que isso funcione —o que é essencial. É por isso que temos liderança.” O funcionário afirmou que o Pentágono recebeu sinais positivos sobre o aumento dos gastos por parte do Japão e da Austrália, mas enfatizou que é “crítico para todos nós que vejamos resultados”. Alguns aliados acreditam que Colby está ignorando preocupações em sua busca por uma dissuasão mais forte. O funcionário disse que isso é “comprovadamente falso”. “Estamos investindo enormes quantidades de tempo e energia para trabalhar com os aliados e encontrar formas de enfrentar nossos desafios compartilhados de maneira que beneficiem a todos nós”, afirmou.
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