Autoridades dos Estados Unidos prenderam nesta quinta-feira (23) Gannon Ken Van Dyke, sargento das forças especiais americana envolvido na captura de Nicolás Maduro. Ele é acusado de ter se aproveitado de informações confidenciais para lucrar cerca de US$ 400 mil (R$ 2 milhões), em um site de apostas, com a queda do então líder venezuelano, em janeiro. Van Dyke, 38, usou informações às quais tinha acesso para fazer apostas na plataforma Polymarket nas semanas que antecederam a operação de captura, segundo o Departamento de Justiça. Entre os cenários em que apostou estavam a entrada de tropas dos EUA na Venezuela e a saída de Maduro do poder. Um júri em Manhattan indiciou o militar por uso indevido de informações governamentais sigilosas para ganho pessoal, roubo de dados não públicos, fraude e realização de transações financeiras ilegais. Este pode ser o primeiro caso em que autoridades apresentam acusações relacionadas ao uso de informação confidencial envolvendo um mercado de apostas, ainda de acordo com o Departamento de Justiça. Promotores afirmam que Van Dyke esteve envolvido no “planejamento e execução” da captura de Maduro, sem detalhar sua atuação. A acusação também menciona uma fotografia enviada por ele para uma conta pessoal na madrugada de 3 de janeiro, horas após a operação. Na imagem, o militar aparece a bordo de um navio vestindo uniforme e segurando uma arma, ao lado de outras três pessoas também fardadas. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Em nota, o procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que militares recebem informações sigilosas para cumprir as missões com segurança, mas são proibidos de utilizá-las para benefício financeiro próprio. Van Dyke, que está na ativa desde 2008 e servia em Fort Bragg, na Carolina do Norte, deveria comparecer a um juiz no mesmo estado. A agência de notícias Reuters não localizou a sua defesa. Já o Pentágono não comentou o caso e encaminhou questionamentos ao Departamento de Justiça. Questionado sobre o caso, o presidente Donald Trump afirmou não estar familiarizado com os detalhes, mas comparou a situação ao escândalo envolvendo o ex-jogador de beisebol Pete Rose, banido por apostas. “É como apostar no próprio time”, disse. “Se ele apostasse contra o próprio time, seria ruim, mas ele apostou no próprio time. Vou analisar isso.” A plataforma Polymarket informou, em publicação no X, que encaminhou o caso ao Departamento de Justiça. “Uso de informação privilegiada não tem lugar no Polymarket. A prisão de hoje prova que o sistema funciona”, diz trecho do post. O caso também gera questionamentos no governo sobre o uso de informações sensíveis por agentes públicos e os limites legais em mercados de apostas com base em eventos do mundo real.
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