Os Estados Unidos fizeram novos ataques ao Irã, tendo como alvo um local militar que, segundo autoridades, representava uma ameaça às forças americanas e ao tráfego marítimo comercial no estreito de Hormuz, disse uma autoridade americana à agência Reuters nesta quarta-feira (27). O funcionário, que falou sob condição de anonimato, afirmou que os militares americanos também interceptaram e abateram múltiplos drones iranianos que representavam ameaça semelhante. Horas depois, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado uma base aérea dos EUA, que teria sido de onde partiu a ofensiva contra seu território. O Kuwait afirmou durante a madrugada ter respondido a ataques com mísseis e drones e posteriormente condenou as ações iranianas, classificando-as de uma “perigosa escalada”. O Ministério das Relações Exteriores do país ainda exigiu que Irã interrompa os ataques e afirmou que mantém direitos de tomar medidas para preservar sua segurança. Antes do ataque americano, a mídia iraniana publicou relatos de três explosões a leste da cidade portuária de Bandar Abbas. Em seguida, a agência Tasnim, liga à Guarda Revolucionária, relatou ataque próximo à cidade e disse que ele ocorreu após a Guarda tentar parar um “navio-tanque americano tentando transitar pelo estreito de Hormuz”. Depois da ofensiva, Teerã condenou o ataque a Bandar Abbas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, declarou que o Irã “tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional” e ainda expressou solidariedade a Omã após as “ameaças de autoridades americanas” —o presidente Donald Trump ameaçou destruir o país caso este não “se comporte como todos os outros” em relação ao controle do estreito de Hormuz. O porta-voz repudiou a “retórica ameaçadora” de Washington e classificou as declarações de Trump de “um sinal preocupante da normalização da anarquia e da intimidação nas relações internacionais”. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, disse em comunicado que EUA e Israel tentam desestabilizar o país persa. “O plano cego do inimigo, após a guerra imposta, a pressão econômica e o cerco político e propagandístico, é criar divisões e desintegração para compensar as derrotas militares e colocar a nação de joelhos”, disse ele, que não aparece em público desde antes de assumir o cargo —que antes era do pai—, em março. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirmou que a violação da trégua ocorreu antes pelo lado iraniano. Segundo a corporação, o Irã teria lançado um míssil em direção ao Kuwait, que conseguiu interceptá-lo. As tropas americanas dizem que isso ocorreu “horas depois de as forças iranianas lançarem cinco drones de ataque unidirecional, que representavam uma clara ameaça dentro e nas proximidades de Hormuz”. Segundo os EUA, “todos os drones foram interceptados com sucesso pelas forças americanas, que também impediram o lançamento de um sexto drone a partir de uma base de controle terrestre iraniana em Bandar Abbas”. Este último teria sido o ataque que Irã afirma ter revidado por ter violado o cessar-fogo. Os ataques ocorrem em meio a negociações para encerrar a guerra, que já chega a três meses, matou milhares de pessoas e elevou drasticamente os preços globais de energia desde seu início em 28 de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel à República Islâmica. O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou mais cedo nesta quarta uma reportagem da mídia estatal iraniana segundo a qual Irã e Omã administrariam conjuntamente a navegação por Hormuz como parte de um acordo de paz. Trump afirmou que a via marítima permaneceria aberta. Os EUA realizaram pela última vez o que chamaram de “ataques defensivos” contra o Irã na segunda-feira (25), algo que Teerã classificou como uma violação do frágil cessar-fogo entre os dois países. Os alvos americanos incluíram embarcações que tentavam colocar minas no estreito e locais de lançamento de mísseis que, segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, representavam uma ameaça às forças americanas. Mais cedo, falando a repórteres durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, Trump voltou a fazer ameaças contra o regime iraniano. “O Irã está muito determinado, eles querem muito fazer um acordo. Até agora, não chegaram lá… não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos. Estaremos ou teremos que simplesmente terminar o trabalho”, disse o republicano. As negociações entre os dois países seguem estagnadas com a discussão sobre o controle do estreito de Hormuz, por onde passava antes da guerra 20% da produção mundial de petróleo e gás, e o programa nuclear iraniano. Trump disse hoje que a intenção é que um possível acordo com Teerã abra o estreito imediatamente, sem ser controlado por um país específico. “Vamos supervisionar, mas ninguém vai controlar. Isso faz parte da negociação que temos. Eles gostariam de controlar. Ninguém vai controlar. São águas internacionais, e Omã vai se comportar como todo mundo ou teremos que explodi-los”, afirmou. O Irã vem discutindo uma parceria com Omã —um aliado dos Estados Unidos— sobre um sistema que cobraria taxas das embarcações que passam pelo estreito, ignorando os alertas feitos pelo governo Trump contra exigências de pagamento para atravessar a importante via marítima internacional. Na semana passada, em meio às discussões com Omã, a recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã publicou nas redes sociais que havia “definido os limites da área de supervisão de gestão do estreito de Hormuz” e que a passagem exigiria uma permissão.
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