A Suprema Corte da Espanha condenou nesta segunda-feira (22) José Luis Ábalos, ex-ministro dos Transportes, a 24 anos de prisão por corrupção. A decisão é a primeira sentença de uma série de escândalos que atingem o Partido Socialista, legenda governista liderada pelo premiê Pedro Sánchez. Ábalos foi considerado culpado por organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência. Os crimes estão relacionados à fraude de contratos públicos para a compra de materiais médicos, como máscaras faciais, durante a pandemia de Covid-19, quando era ministro do governo. Ábalos foi uma figura-chave na ascensão de Sánchez ao poder, e os escândalos podem enfraquecer o primeiro-ministro socialista na reta final de seu mandato. O assessor Koldo García, braço-direito de Ábalos no ministério, foi condenado a 19 anos de prisão. O empresário Víctor de Aldama recebeu uma sentença de quatro anos e meio de prisão, mas o tribunal suspendeu o cumprimento da pena em reconhecimento à sua cooperação na investigação do esquema. Como parte do acordo, Aldama não poderá cometer novos crimes, terá de apresentar relatórios de atividades semestrais e cumprir um ano de serviço comunitário. O julgamento trata de um dos vários casos de corrupção envolvendo pessoas próximas de Sánchez, um dos poucos líderes de esquerda ainda no poder na Europa. Ele chegou ao poder há oito anos após derrubar um governo de centro-direita marcado por escândalos de corrupção, com a promessa de moralizar a política. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Embora esteja sob forte pressão, inclusive de aliados, o próprio Sánchez não foi citado como investigado em nenhum dos casos e afirma que eles fazem parte de uma campanha para tirá-lo do poder. Ainda assim, a sentença representa um revés para Sánchez, agravando ainda mais sua já conturbada situação jurídica. Seu irmão foi recentemente julgado por tráfico de influência. Sua esposa, Begoña Gómez, deve ir a julgamento por quatro acusações, incluindo tráfico de influência e uso indevido de fundos públicos. A Justiça determinou a retenção de seu passaporte por risco de fuga. Ela está proibida de deixar a Espanha. Gómez, que nega irregularidades, recorreu da decisão. Além disso, José Luis Rodríguez Zapatero, ex-primeiro-ministro socialista e aliado próximo de Sánchez, foi acusado de supostamente influenciar o governo em troca de comissões ilegais. O líder da oposição, o conservador Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular, pediu a renúncia de Sánchez e a convocação de eleições.
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