O agitador britânico de ultradireita Milo Yiannopoulos foi deportado dos Estados Unidos na sexta-feira (28), um dia após ser preso pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega, na sigla em inglês). A informação foi confirmada por um um porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês). Yiannopoulos, que defendia a instalação de postos de fiscalização do ICE em supermercados e a deportação sumária de qualquer pessoa que não conseguisse comprovar residência legal, foi preso na quinta-feira (27) no Aeroporto Internacional Louis Armstrong, em Nova Orleans (Louisiana). Ele não foi localizado imediatamente para comentar. Ainda não há informações sobre para onde ele foi encaminhado. O Departamento de Segurança Interna dos EUA, órgão ao qual o ICE é subordinado, o descreveu como “um estrangeiro em situação irregular oriundo do Reino Unido”. Segundo o DHS, Yiannopoulos entrou legalmente nos EUA em maio de 2019, por Nova York, mas “optou por permanecer além do período autorizado, violando as leis de nossa nação”. “Um juiz de imigração emitiu uma ordem definitiva de expulsão contra Yiannopoulos em 22 de julho, depois que ele não compareceu à audiência de imigração”, afirmou o comunicado do DHS. “Ele permanecerá sob custódia do ICE enquanto aguarda a expulsão.” Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O site de notícias sobre celebridades TMZ.com, que revelou sua prisão, sugeriu que Yiannopoulos, que mantém laços estreitos com o astro do hip-hop Kanye West, estava em Nova Orleans antes da apresentação que o músico tinha marcada para a noite de sexta-feira na cidade. A detenção de Yiannopoulos pelo ICE representou uma reviravolta irônica para o comentarista político, conhecido por declarações extremas, incluindo retórica anti-islâmica e apoio a uma fiscalização migratória ainda mais rígida do que a repressão implementada por Donald Trump. Em uma publicação de junho de 2025 em rede social, ele afirmou que a Califórnia “precisa de postos de fiscalização do ICE nas entradas de supermercados, postos de gasolina, centros comerciais, cruzamentos e prédios públicos, com deportação imediata de qualquer pessoa que não consiga provar que está legalmente nos EUA”. Yiannopoulos começou a trabalhar em 2014 para o veículo de direita Breitbart News, onde ganhou notoriedade por seu papel de destaque na campanha antifeminista conhecida como “Gamergate”, que teve como alvo mulheres da indústria de videogames. Ele foi um destacado apoiador de Trump durante a campanha presidencial de 2016 do republicano. Além de seu trabalho no Breitbart, em 2017 chegou a receber, por um breve período, um convite para discursar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), uma das principais plataformas da direita americana. Mas Yiannopoulos caiu em desgraça de forma abrupta após a divulgação de um vídeo no qual defendia relações sexuais com meninos de apenas 13 anos e tratava com desdém a gravidade da pedofilia praticada por padres católicos. Os organizadores da CPAC retiraram o convite, e ele deixou o Breitbart em meio às críticas por suas declarações. Yiannopoulos, que era abertamente gay e dizia com frequência sentir atração por Trump, anunciou em 2017 que havia se casado com um cidadão americano, mas nunca revelou a identidade completa dessa pessoa. Mais tarde, afirmou que havia deixado de ser gay e que havia “rebaixado” o marido à função de “colega de casa”.
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