O Festival de Oxum – As águas da reconstrução chega à edição de 2025 em Porto Alegre reforçando a conexão entre cultura, espiritualidade e educação ambiental. Idealizado por Itanajara Almeida, mulher da tradição de matriz africana conhecida como Iyá Itanajara de Oxum, o festival instituído em lei municipal ocorre nos dias 6, 7 e 8 de dezembro. A programação reúne resgate ancestral, debates sobre meio ambiente, atividades culturais, serviços à comunidade e, pela primeira vez, uma marcha trans. A festividade culmina na 32ª Festa da Mãe Oxum, na segunda-feira (8), a partir das 20h, na avenida Guaíba, em frente ao monumento de Oxum, na praia de Ipanema. Durante o evento ocorre o pré-lançamento do livro que celebra os 32 anos da tradicional Festa de Oxum. A obra reúne registros históricos, fotografias e depoimentos que preservam a trajetória de uma das celebrações mais marcantes do calendário cultural e religioso da cidade. Segundo a Iyá, o festival nasce do compromisso de integrar espiritualidade, pertencimento e cuidado socioambiental, especialmente diante dos impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. “A gente quer fazer esse diálogo com educadores ambientais e saber qual é a nossa responsabilidade por esse cuidado ao meio ambiente, por esse cuidado com as matas, com as aguas. Estamos num momento em que é urgente fazer com que esse processo de educação ambiental aconteça em todos os níveis. Que a gente comece com as crianças, venha vinda vindo ate trazer a conscientização geral para o povo”, afirma. Ela reforça que o processo deve começar pelas crianças e envolver toda a sociedade. O projeto de lei que que oficializa o Festival de Oxum, de autoria do Coletivo Cuca Congo (PCdoB), foi aprovado no dia 17 de novembro deste ano, pela Câmara Municipal de Porto Alegre. De acordo com a justificativa do PL, o Festival Oxum visa não apenas celebrar a cultura africana e a tradicionalidade, mas também promover a preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico da região. “Com uma infraestrutura fixa e uma abordagem integrada, o evento tem o potencial de se tornar uma referência nacional e internacional na celebração da diversidade cultural, na promoção da sustentabilidade e no fomento do turismo na região”, destacam os autores. Resgate ancestral na abertura O primeiro dia de programação, no sábado (6), será realizado na Ponte de Pedra, local simbólico para povos de matriz africana em Porto Alegre. “Ali eram deixadas as oferendas ao Oxum, e nós queremos resgatar esse processo ancestral, resgatar todo aquele processo que a gente faz enquanto povo tradicional, que é oferecer às nossas divindades”, explica a Iyá. A abertura contará com uma roda de conversa com representantes de religiões de matriz africana, educadores ambientais e o ato da marcha trans, que ocorre pela primeira vez na Capital. “Esse diálogo vai ser aberto, porque existem núcleos que vão fazer rodas de conversa com pautas comuns. É uma transversalidade de tudo que nós temos realmente como identificação. A matriz africana é o lugar que mais acolhe. O que a gente chamava de acolhimento, hoje chamamos de pertencimento”, destaca. No domingo (7), a Casa de Cultura Mário Quintana recebe painéis temáticos sobre ancestralidade e meio ambiente, com participação de especialistas de diferentes áreas. Também está prevista a presença da Iyalorixá Márcia Marçal , organizadora do Festival de Oxum do Rio de Janeiro. “A gente vai ouvir e dialogar sobre como conseguimos estar inseridas dentro desses processos.” Celebração tradicional e serviços comunitários A programação de segunda-feira (8), data dedicada a Oxum, será realizada na Orla de Ipanema com a 4ª Feira de Oxum, que reúne artesanato, economia solidária, gastronomia e intervenções culturais ao longo de todo o dia. A atividade inclui ainda serviços públicos, como atendimentos do istema Nacional de Emprego (Sine) e Cadastro Único (CadÚnico), além da presença da titular da Delegacia de Mulheres, que falará sobre o enfrentamento à violência e ao feminicídio. O festival se encerra com a tradicional Festa de Oxum, evento que costuma reunir cerca de 30 mil pessoas. “Reverenciamos e saudamos essa rica mãe. As pessoas levam suas velas, levam suas flores, tocam seus tambores”, relata Itanajara. Para ela, o encontro reforça o sentimento coletivo e a relação espiritual que marca a capital. “Sempre dizemos que somos filhos dessa rica mãe. Nessa cidade, todo mundo é de Oxum.” Programação Sábado (6) – Ponte de Pedra – Açorianos 14h – Abertura no palco (Israel Ávila)Fala de autoridades tradicionais, representantes LGBT+ e educadores ambientais15h – Apresentação do grupo Quilombo Família Ouro15h30 – Falas de autoridades (LGBT+ e educadores ambientais)16h – Apresentação Brazil Estrangeiro16h30 – Falas de autoridades tradicionais, LGBT+ e educadores ambientais17h – Apresentação Nosso Futuro17h30 – Concentração para o cortejo18h – Largada do cortejo18h30 – Chegada no Gasômetro19h – Entrega das flores às águas19h30 – Apresentações culturais (Brazil Estrangeiro e Quilombo Família Ouro) – Praça do Aeromóvel Domingo (7) – Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ) Painel Ancestralidade– Iyalorixá Márcia Marçal (RJ)– Babá Juliano de Oxalá Painel Meio Ambiente– Rosa Maris Rosado (bióloga, educadora ambiental)– Teresinha Sá de Oliveira (pedagoga, educadora ambiental)– Marcelo Juliano Santos dos Santos (geógrafo, educador ambiental) Segunda- Feira (8) – Orla de Ipanema 4ª Feira de Oxum – das 10h às 24hArtesanato, gastronomia, serviços comunitários e intervenções culturais a cada horaEncerramento com a tradicional Festa de Oxum, a partir das 20h
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