Durante este domingo (22) e segunda-feira (23), movimentos populares de mais de 70 países debaterem propostas que serão levadas à Conferência Internacional Sobre Reforma Agrária (ICARRD +20) que será realizada em Cartagena, na Colômbia, a partir desta terça-feira (24). Além das organizações populares, estiveram presentes as ministras colombianas do Ambiente, Irene Vélez Torres, e do Desenvolvimento Rural, Martha Carvajalino. Ambas reafirmaram a intenção do governo de Gustavo Petro de seguir aprofundando a reforma agrária no país e disseram que abrigar a conferência era um sinal dessa política. “Quero dizer em nome do presidente Petro que é uma honra receber vocês no país que acolheu a causa do campesinato”, disse a ministra Martha. “Há mais de 500 pessoas em Cartagena para esse eventos. Esperamos que se juntem mais mil pessoas na segunda conferência. Nós propusemos aos camponeses, aos índios, aos negros que construíssemos uma novo pacto pela vida, já que as elites fizeram um pacto para barrar a reforma agrária.” O Fórum dos Povos e Movimentos Sociais antecede a realização da ICCARRD +20 e servirá para a discussão e elaboração de propostas para os problemas no campo de diversos lugares do mundo. “Hoje a situação que enfrentamos é mais difícil de que há 20 anos”, disse Saul Vicente, ativista indígena mexicano ao abrir as reuniões. “A prática de expulsão das terras é mais radical, não somente nos expulsam das terras senão que as exploram cada vez mais, extraem os minerais e ameaçam nossas vidas”, afirmou o dirigente que também integra o Grupo de Trabalho sobre Terra, Bosques e Água do Comitê Internacional para o Planejamento da Soberania Alimentar (CIP). Nury Martínez, dirigente sindical da federação rural Fensuagro, da Colômbia, também saudou a presença dos movimentos no fórum e disse que “fazer a conferência aqui em Cartagena é um reconhecimento ao governo colombiano pelo esforço em fazer a reforma agraria”. “Apesar de todas as dificuldades, como o nosso Congresso que coloca obstáculos para a redistribuição da terra, é um reconhecimento importante”, afirmou. Brasil presente O governo do Brasil também esteve representado no fórum com a presença do ministro de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. “Quero dizer que os movimentos sociais são fundamentais para haver reforma agrária, porque são vocês que fazem os governos se moverem para garantir orçamento, para garantir legislação, para garantir vontade política, para tirar os agricultores e as agricultoras da invisibilidade e colocá-los no centro das nossas políticas. Por isso, os movimentos sociais são fundamentais. Vocês são responsáveis por essa conferência”, disse. O Brasil foi um dos países apoiadores da realização da ICARRD +20 na Colômbia, além de ser o último anfitrião da conferência, cuja primeira edição ocorreu em Porto Alegre (RS), em 2006. “A conferência o Brasil, há 20 anos atrás, foi uma homenagem a Eldorado de Carajás, que foi um massacre que foi realizado no ano de 1996 no Brasil. […] Nós não vamos esperar mais 20 anos para fazer a terceira conferência, porque o tema da reforma agrária vai estar no centro das nossas preocupações e das nossas organizações”, afirmou o ministro. Além do ministro, diversos movimentos brasileiros estiveram presentes, como foi o caso do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST). Para Jaime Amorim, do MST e da Via Campesina, o Brasil possui condições de avançar no tema da reforma agrária, já que o agronegócio “está falido”. “O país tem terra, tem gente querendo produzir e tem gente com possibilidades de fazer grandes assentamentos no Brasil”, disse. Ainda segundo ele, os movimentos devem ter boa recepção por parte das delegações oficiais dos países na conferência. “Mesmo que a gente não seja ouvido, só o fato de eles estarem discutindo a reforma agrária já é um ponto positivo”, disse. Amorim ainda adiantou que há discussões para fazer “a próxima conferência da reforma agrária no México” e que há propostas de aumentar a periodicidade. “Não se sabe se a cada quatro anos, tem quem fale a cada dois anos”, disse. “Essa pode ser um alternativa, de fazer com que os governos entendam a importância da reforma agrária, combatendo o latifúndio e, aos poucos, alterando o modelo de desenvolvimento na agricultura.”
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