A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), cujos membros são conhecidos como “lefebvrianos”, rejeitou as recentes excomunhões decretadas pelo Vaticano após consagrar quatro bispos sem autorização papal em 1º de julho e afirmou que as sanções impostas são “objetivamente injustas e inválidas”.
Em uma carta endereçada ao Papa Leão XIV, divulgada em 3 de julho, o padre Davide Pagliarani, superior geral da FSSPX, justificou as consagrações episcopais que motivaram o decreto do Vaticano declarando o grupo em cisma como “uma medida extrema para salvar almas, em meio à confusão doutrinária e moral em que a Igreja se encontra”.
“Não temos de forma alguma a intenção de substituir a Igreja, e nosso único propósito é permanecer fiéis a ela”, escreveu Pagliarani, que lidera o grupo fundado em 1970 pelo arcebispo Marcel Lefebvre, falecido em 1991.
O grupo fundado por Lefebvre tem como objetivo preservar a liturgia tradicional como existia antes das reformas implementadas após o Concílio Vaticano II, mantendo sua oposição a aspectos dos ensinamentos do concílio sobre ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade.
Lefebvre foi excomungado em 1988 após ordenar, sem a permissão do Papa João Paulo II, quatro bispos: Alfonso de Galarreta, da Espanha, Bernard Fellay, da Suíça, Richard Williamson, da Inglaterra, e Bernard Tissier de Mallerais, da França.
Em meio a tentativas de construir pontes de diálogo com a FSSPX, o Papa Bento XVI suspendeu as excomunhões em 2009 contra os quatro bispos consagrados por Lefebvre.
Tissier de Mallerais e Williamson faleceram em 2024 e 2025, respectivamente. Galarreta e Fellay, por outro lado, participaram da recente consagração de quatro novos bispos em 1º de julho, pela qual foram excomungados mais uma vez.
“Pedimos pão”
Usando como tema central de seu argumento a passagem do Evangelho segundo São Lucas (11:11–13), na qual Jesus lembra seus discípulos de que “se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lho pedirem”, Pagliarani afirmou que “pedimos pão — isto é, um pouco de compreensão diante de um caso de consciência sincero, um gesto de compaixão paternal”.
“Infelizmente, recebemos uma pedra”, continuou, observando que, em vez de “peixe” — ou seja, “a possibilidade de obter temporariamente os meios necessários para continuar formando bons sacerdotes… infelizmente, recebemos uma serpente”.
“Pedimos um ovo, prometendo devolvê-lo assim que possível”, acrescentou. Ele afirmou que “a santa tradição que preservamos em nossas almas pertence à Igreja, nossa Mãe”, mas “infelizmente, recebemos um escorpião”.
O superior da FSSPX assegurou a Leão XIV que a fraternidade não aceita as sanções do Vaticano “em um espírito de amargura ou rebelião”, mas se sente encorajada “a amar a santa Igreja ainda mais e a atender às suas necessidades mais do que nunca com todas as nossas forças”.
“Estamos certos de que um dia o senhor mesmo ou um de seus sucessores desejará abraçar o programa de São Pio X: ‘Restaurar todas as coisas em Cristo'”, disse, observando que “naquele dia, o Santo Padre descobrirá, com grande alegria e profunda consolação, almas autenticamente católicas — almas cujo vínculo com a Igreja nunca foi fundado nas areias movediças do diálogo ambíguo, mas na rocha da fé de Pedro”.
“Voltem atrás!”: apelo de Leão XIV à FSSPX foi ignorado
Em sua carta, Pagliarani não faz menção aos repetidos apelos da Igreja Católica ao diálogo, que remontam ao pontificado de São João Paulo II com a criação da Comissão Ecclesia Dei e que alcançaram um de seus pontos mais altos na decisão de Bento XVI de suspender as excomunhões dos quatro bispos consagrados por Lefebvre.
O Papa Francisco também estendeu a mão à FSSPX com decisões como permitir que as confissões sacramentais com seus sacerdotes fossem válidas e lícitas durante o Jubileu da Misericórdia em 2016 — uma decisão que ele posteriormente estendeu para além daquele ano.
Pagliarani também não abordou o apelo direto do Papa Leão XIV à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pedindo ao grupo que não cometesse “um ato cismático”.
“Neste espírito, e cheio de afeição cristã, imploro e peço com todo o meu coração: Voltem atrás!”, escreveu o Santo Padre a eles em 30 de junho.
“Exorto-vos a considerar cuidadosamente o bem espiritual dos fiéis, porque o ato cismático que realizariam os privaria da recepção lícita — e em alguns casos, até válida — dos sacramentos que eles amam e buscam para sua própria santificação”, afirmou o papa.
Esta matéria foi publicada originalmente pela ACI Prensa, o serviço em espanhol da EWTN News. Foi traduzida e adaptada pela EWTN News English.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: SSPX rejects Vatican’s excommunication, calls it ‘objectively’ unjust and invalid https://www.ewtnnews.com/vatican/sspx-rejects-vatican-s-excommunication-calls-it-objectively-unjust-and-invalid


