Jared Kushner, genro e assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou nesta segunda (17) dois dias de reuniões com autoridades israelenses e líderes do grupo terrorista Hamas, em uma tentativa de destravar o plano de Washington para Gaza. Não houve, porém, sinais de avanço nas negociações, e os dois lados mantiveram suas posições. Kushner se reuniu com o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, em Jerusalém, um dia após se encontrar com o novo líder do Hamas, Khalil al-Hayya, no Cairo. As tentativas de reavivar o plano, que está paralisado, ocorrem enquanto Israel faz ataques aéreos e toma mais territórios em Gaza, apesar do cessar-fogo de outubro. O grupo terrorista, por sua vez, ainda se recusa a entregar suas armas. No mês passado, Trump disse que o Hamas havia concordado em se desarmar, seguindo um roteiro de 15 pontos apresentado por seu chamado Conselho da Paz. O grupo terrorista afirmou concordar com o roteiro, mas disse que sua implementação dependeria de Israel cumprir primeiro seus compromissos, entre eles interromper os ataques e retirar suas tropas do território. Netanyahu, cuja coalizão governista está atrás nas pesquisas de opinião antes das eleições nacionais de outubro, rejeitou publicamente o acordo neste mês e insistiu que Israel não se retiraria de Gaza até que o Hamas fosse completamente desarmado. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ou seja, os dois lados divergem sobre a ordem de implementação das medidas previstas no plano de Trump para encerrar a guerra. De acordo com uma autoridade israelense ouvida em condição de anonimato pela agência de notícias Reuters, não houve um grande avanço na reunião desta segunda, que durou várias horas. Netanyahu, segundo essa autoridade, deixou claro que as forças militares não se retirariam de uma linha de demarcação estabelecida no cessar-fogo de outubro e que continuariam fazendo operações em Gaza conforme considerassem necessário. A autoridade israelense afirmou também que Netanyahu e Kushner concordaram, durante a reunião, que a reconstrução de Gaza não começaria até que o Hamas estivesse totalmente desarmado. Em comunicado que classificou a reunião como “profunda e construtiva”, o gabinete do primeiro-ministro israelense escreveu que Tel Aviv e o Conselho da Paz acreditam que o desarmamento em Gaza deve ser “rápido e concluído antes de qualquer reconstrução”. O comunicado também afirmou que Netanyahu concordou com o Conselho da Paz em criar um grupo de trabalho sobre desarmamento e desmilitarização, além de outro grupo voltado para saneamento, água potável e outras questões de saúde pública em Gaza. A posição dos israelenses, portanto, não mudou. Trump havia dito que o acordo seria implementado em etapas. Segundo diplomatas, é improvável que Netanyahu faça concessões relevantes sobre Gaza antes das eleições de 27 de outubro. Kushner participou da reunião com Netanyahu em Jerusalém acompanhado de Nickolay Mladenov, enviado do Conselho da Paz de Trump para Gaza, disseram as duas pessoas a par das tratativas, sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir o assunto. Mladenov, ex-funcionário da ONU com laços estreitos com os Emirados Árabes, ajudou a intermediar o acordo de desarmamento do mês passado. Diante da falta de avanço nos esforços diplomáticos para resolver os conflitos no Oriente Médio, Trump foi às redes sociais para dizer, uma vez mais, que não permitirá que o Irã tenha armas nucleares. “O objetivo número um é, e sempre será, que o Irã não possa ter, de nenhuma maneira, forma ou circunstância, uma arma nuclear”, escreveu o presidente em um post na Truth Social. A interrupção do programa nuclear iraniano é considerada um dos principais impasses entre os dois países. No domingo (16), Kushner participou de uma reunião com Al-Hayya, nomeado líder máximo do Hamas no mês passado. Ele sucedeu Yahya Sinwar, morto pelas forças israelenses em outubro de 2024. Foi o segundo encontro público do genro de Trump com representantes do Hamas. O primeiro ocorreu em outubro de 2025, quando Kushner se encontrou com integrantes da organização ao lado do enviado americano Steve Witkoff.
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