Biblioteca Geisel, edifício-símbolo da Universidade da Califórnia em San Diego (Foto: Westxtk/Wikimedia Commons)
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) divulgou nesta segunda-feira (20) o resultado de uma investigação de quatro meses e acusou a Universidade da Califórnia em San Diego de discriminar estudantes durante o processo de admissão na sua faculdade de medicina.
“Em vez de se basear nas pontuações do Exame de Admissão à Faculdade de Medicina [MCAT, na sigla em inglês] ou no coeficiente de rendimento escolar, o processo de candidatura disfarçado da San Diego Med julgou ilegalmente os candidatos de acordo com sua raça”, afirmou em nota a procuradora-geral adjunta Harmeet K. Dhillon, da Divisão de Direitos Civis do DOJ.
A alegação da pasta é que ocorreu discriminação contra candidatos brancos e asiáticos em favor de postulantes negros e latinos.
O comunicado afirmou que a universidade teria “manipulado os dados dos candidatos para alcançar uma maior diversidade racial na admissão de estudantes” e que teria ocorrido descumprimento ao Título VI da Lei de Direitos Civis de 1964, legislação que proíbe as instituições de ensino que recebem recursos federais de discriminação por motivos de raça.
“Os esforços flagrantes da San Diego Med para priorizar a raça são ilegais, e poremos fim a estas práticas”, afirmou Dhillon.
Um porta-voz da Universidade da Califórnia em San Diego disse ao jornal Los Angeles Times que a instituição está analisando as conclusões do DOJ.
Ele afirmou que a faculdade de medicina da instituição “orgulha-se de formar alguns dos médicos e pesquisadores de maior destaque do país” e que todos os candidatos a entrar no curso “devem atender a critérios acadêmicos rigorosos, uma exigência que é — e sempre foi — aplicada de maneira uniforme a todos os candidatos”.
“[A universidade] mantém seu compromisso com o pleno cumprimento da legislação federal e recebe bem a oportunidade de trabalhar de forma colaborativa e construtiva com o governo federal para reafirmar esse compromisso”, acrescentou o porta-voz.
Recentemente, o governo Trump já havia adotado ações similares contra a Stanford e as universidades da Califórnia em Los Angeles e em Davis, também sob o argumento de que políticas de diversidade praticadas por estas instituições seriam discriminatórias.


