A Global Sumud Flotilla, principal grupo que organiza flotilhas ativistas e com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, afirmou que o ativista brasileiro Thiago Ávila teria sido torturado em um barco da Marinha israelense. Ávila foi detido na quarta-feira (29) a caminho da de Gaza. Até a última atualização desta reportagem, o governo de Israel não havia comentado o caso. A embaixada do país no Brasil, assim como as Forças Armadas israelenses foram procuradas, e a reportagem será atualizada após comentários. Thiago e outros três brasileiros que participavam de uma flotilha levando ajuda humanitária para o território palestino foram capturados pelas forças de Israel em águas internacionais, nas proximidades da ilha de Creta, na Grécia. No total, 175 pessoas, de várias nacionalidades, foram detidas. De acordo com informações da Global Sumud Flotilla, Ávila e o ativista Saif Abu Keshek foram transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon, ao norte de Gaza. Ele recebeu uma visita de representantes da Embaixada do Brasil em Israel. Na sexta-feira (1º), autoridades israelenses informaram que interrogariam Ávila e Abu Keshek, enquanto outros ativistas capturados foram liberados e levados a um porto em Creta. Em comunicado, a Global Sumud Flotilla disse que membros da embaixada do Brasil em Israel foram proibidos de portar celulares durante visita consular a Ávila. Aos representantes da embaixada, segundo a organização, Ávila afirmou ter sido arrastado de bruços e desmaiado duas vezes devido a agressões sofridas durante o espancamento. Ele também teria marcas visíveis de violência no rosto e estaria se queixando de dores, ainda de acordo com o grupo ativista e estaria atualmente numa cela sem janelas. Ávila já havia sido preso por Israel duas vezes em iniciativas semelhantes. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O Ministério de Relações Exteriores de Israel escreveu em publicação no X que Ávila é “suspeito de atividade ilegal”, sem fornecer mais detalhes, e Abu Keshek, “suspeito de filiação a uma organização terrorista”. “Israel não permitirá a violação do bloqueio naval legal a Gaza”, publicou a pasta. O Itamaraty divulgou uma nota conjunta com o governo espanhol condenando o que classificou de “sequestro de dois de seus cidadãos em águas internacionais por parte do governo de Israel” e exigindo o retorno imediato de Ávila e de Abu Keshek com garantias de segurança. “Esta ação flagrantemente ilegal das autoridades de Israel, fora de sua jurisdição, é uma afronta ao direito internacional, acionável em cortes internacionais, e configura delito em nossas respectivas jurisdições”, afirma a nota.
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