Afeganistão, Iêmen, Somália, Coreia do Norte e Eritreia aparecem entre os países com maiores restrições de acesso à Bíblia em 2026. (Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo / Arquivo)
Mais de 500 milhões de cristãos vivem em países onde obter, guardar, distribuir ou acessar a Bíblia enfrenta algum tipo de restrição, segundo a edição deste ano da Bible Access List, divulgada pela Bible Access Initiative. Em mais de 250 milhões desses casos, as dificuldades são classificadas pela iniciativa como muito graves e estão relacionadas principalmente a controles de governos e regimes, violência de grupos extremistas e pressões religiosas, familiares ou comunitárias.
O levantamento analisou 106 países e separou o problema em duas frentes: a primeira mede restrições impostas diretamente ao acesso às Escrituras, como proibições ou limitações à importação, impressão, posse e distribuição. A segunda calcula a falta de exemplares entre cristãos que gostariam de ter uma Bíblia, mas não conseguem obtê-la.
O Afeganistão aparece no primeiro lugar entre os países onde o acesso é mais restrito. Na sequência estão Iêmen, Somália, Coreia do Norte e Eritreia. Mauritânia, Turcomenistão, Líbia, Sudão e Irã completam os dez primeiros colocados.
Segundo a iniciativa, as limitações variam de país para país. Em alguns locais, governos e regimes restringem a entrada e a impressão de exemplares da Bíblia. Em outros, a pressão parte também de grupos extremistas ou da própria comunidade. Dos países avaliados, 30 apresentam proibição ou restrições consideradas severas à posse pessoal da Bíblia, enquanto 39 impõem limitações graves à sua distribuição.
A Bible Access Initiative estima ainda que aproximadamente 126 milhões de cristãos em 81 países querem ter uma Bíblia própria, mas não possuem um exemplar. Nesse caso, nem sempre o principal obstáculo é a perseguição religiosa. Pobreza, dificuldades de transporte, falta de infraestrutura e o preço dos livros também pesam.
As maiores faltas de exemplares da Bíblia foram identificadas na República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria e Índia, onde a iniciativa estima que mais de 10 milhões de cristãos em cada país gostariam de possuir uma Bíblia e não conseguem. Uganda aparece em seguida, com uma necessidade estimada entre 5 milhões e 10 milhões de exemplares.
Acesso pela internet também sofre restrições
A disponibilidade de versões digitais da Bíblia ainda não resolveu o problema, segundo o levantamento. Mais de 400 milhões de cristãos em 42 países vivem sem acesso à internet, o que impede que aplicativos e versões online substituam os exemplares impressos.
Outros 277 milhões de cristãos, espalhados por 48 países, vivem em locais onde acessar as Escrituras pela internet é considerado inseguro ou sofre algum tipo de restrição ou monitoramento.
A Bible Access Initiative é uma coalizão de organizações cristãs criada pela Portas Abertas e pela Digital Bible Society. A edição deste ano tem entre seus parceiros organizações como Bible League International, Voice of the Martyrs e YouVersion.
Para elaborar o levantamento, os pesquisadores usam questionários aplicados em mais de cem países, entrevistas com especialistas locais, informações de organizações que atuam com cristãos e dados de instituições como Banco Mundial e o World Christian Database, base internacional de estatísticas sobre demografia religiosa publicada pela editora acadêmica Brill.

