Organização que monitora perseguição religiosa afirma que autoridades iranianas analisam celulares confiscados para identificar outros integrantes de comunidades cristãs. (Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EFE/EPA)
Autoridades do regime islâmico do Irã estão usando informações encontradas em celulares apreendidos durante prisões e interrogatórios para identificar outros cristãos e ampliar investigações contra comunidades religiosas no país, segundo relatos reunidos pela organização Article18, que monitora a perseguição aos cristãos iranianos.
A organização afirma que agentes de segurança têm analisado mensagens, contatos, fotografias e outras informações armazenadas nos aparelhos de cristãos detidos. A partir desses dados, outras pessoas ligadas às igrejas domésticas acabam sendo identificadas e passam a ser procuradas ou interrogadas pelas autoridades do regime islâmico.
A medida ocorre em meio a uma nova onda de detenções de cristãos, principalmente convertidos do islamismo e integrantes de igrejas domésticas que funcionam fora das instituições reconhecidas pelo regime iraniano.
Segundo a Article18, agentes da ditadura islâmica costumam apreender celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos durante operações realizadas nas casas dos cristãos. As igrejas domésticas são um dos principais alvos das autoridades do regime. Como convertidos do islamismo não podem frequentar livremente igrejas reconhecidas pelo Estado, muitos se reúnem em pequenos grupos dentro de casas. O regime considera algumas dessas atividades uma “ameaça à segurança nacional” e já condenou cristãos por participação ou organização desses encontros.
A Constituição iraniana reconhece oficialmente algumas minorias religiosas, entre elas cristãos armênios e assírios. A situação é diferente para muçulmanos que se convertem ao cristianismo. Organizações de direitos humanos afirmam que esses convertidos enfrentam prisões, interrogatórios e processos relacionados à prática da nova religião.
A repressão religiosa no Irã se intensificou nos últimos anos. Um relatório divulgado pela Article18 em parceria com outras organizações registrou centenas de cristãos presos, interrogados ou processados no país e apontou o aumento das penas de prisão aplicadas a integrantes dessas comunidades.
O regime iraniano costuma rejeitar acusações de perseguição religiosa e afirma que pessoas processadas nesses casos são investigadas por questões relacionadas à segurança nacional, e não simplesmente por sua fé.


