Os irmãos influenciadores da “machosfera” Andrew e Tristan Tate, presos sob custódia nos Estados Unidos no fim de semana, contestam os pedidos de extradição para a Inglaterra, onde enfrentam acusações de estupro, tráfico sexual e pornografia, incluindo casos relacionados à imagem de uma criança. De acordo com as denúncias reveladas na segunda-feira (20), autoridades britânicas acusaram ambos os irmãos de estrangular várias mulheres, às vezes até que desmaiassem, e depois estuprá-las. Os Tate compareceram ao tribunal após serem presos por agentes federais no sábado (18), durante um evento de boxe no centro de Miami. Na corte, os dois apareceram usando macacões bege de presidiário e algemas. Ambos só se manifestaram para confirmar que haviam lido os documentos judiciais referentes ao caso. O advogado deles, Joseph McBride, disse a repórteres após a audiência que as acusações tinham motivação política. “Andrew e Tristan são inocentes”, afirmou, chamando as alegações contra eles de “lixo”. Os Tate contrataram o renomado escritório de advocacia Roy Black, do sul da Flórida, para contestar a extradição. Advogados se reunirão perante um juiz federal daqui a uma semana para discutir o agendamento de uma audiência, que decidirá se os irmãos permanecerão detidos enquanto contestam a extradição. De acordo com informações fornecidas às autoridades americanas pelo governo britânico, as acusações mais recentes decorrem de incidentes envolvendo quatro mulheres, ocorridos de julho de 2010 a agosto de 2017. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Andrew Tate enfrenta sete acusações de estupro, três de tráfico sexual, três de agressão e mais 19 acusações relacionadas a “imagens indecentes de uma criança e pornografia extrema”. Em uma queixa revelada na segunda-feira, promotores americanos detalharam alegações feitas por seus colegas britânicos contra o influenciador, envolvendo duas vítimas. O documento afirma que ele repetidamente deu mata-leões em uma mulher, até que ela desmaiasse, e então a estuprou, durante um suposto ataque em 2015 na casa dela em Bedford, no leste da Inglaterra. Outra mulher alegou que teve relações sexuais consensuais com Andrew Tate em julho de 2014, conforme a queixa. Contudo, em outra ocasião, ele visitou a casa dela em Manchester e a estrangulou a ponto de “ela temer que Tate fosse matá-la”. Seu irmão Tristan Tate enfrenta uma acusação de agressão sexual, duas de estupro e três de tráfico sexual. A denúncia revelada contra Tristan alega que ele regularmente estrangulava, espancava e estuprava uma mulher com quem manteve um relacionamento amoroso em 2012 e 2013. Ela disse às autoridades que ele regularmente a enforcava até a inconsciência, a agrediu até deixar seu olho roxo e a chicoteou com um cinto em múltiplas ocasiões, causando hematomas. Os irmãos são figuras proeminentes na chamada “machosfera”, onde pregam hipermasculinidade e visões misóginas para legiões de jovens na internet. Eles acumularam uma fortuna com pornografia online e cursos de autoajuda. Eles também enfrentaram investigações criminais em três países. Os Tate há muito negam as alegações contra eles. Eles processaram uma de suas acusadoras por difamação em um tribunal da Flórida, e McBride disse que esse caso limparia seus nomes. Dani Pinter, diretora jurídica do Centro Nacional sobre Exploração Sexual —que representa a mulher processada pelos irmãos— celebrou a prisão na segunda-feira. Ela acrescentou que a mulher e sua família foram “vítimas de uma campanha de assédio e intimidação de testemunhas”. No total, promotores do Reino Unido apresentaram 59 acusações contra os irmãos. Autoridades policiais britânicas já os haviam acusado anteriormente de estupro e tráfico de pessoas em relação a incidentes envolvendo três mulheres de 2012 a 2015. Os irmãos também foram investigados na Romênia por coagir dezenas de mulheres à pornografia, incluindo uma jovem de 17 anos. Andrew Tate também é acusado de estupro e de ter espancado uma adolescente de 15 anos. Esse caso ainda permanece sem resolução. Os irmãos, que têm cidadania tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, não retornaram à Grã-Bretanha desde que promotores romenos suspenderam suas as restrições de viagem no ano passado —o resultado de um esforço de anos de Andrew Tate para forjar alianças com assessores e familiares do presidente Donald Trump, conforme uma apuração do jornal The New York Times. O Ministério do Interior britânico encaminhou perguntas sobre a extradição aos promotores britânicos. Na Flórida, o procurador-geral do estado, James Uthmeier, anunciou uma investigação sobre os irmãos no ano passado, mas nenhuma acusação estadual foi apresentada. Agentes antitráfico do Departamento de Segurança Interna também abriram um inquérito sobre os irmãos Tate, segundo o Times. O movimento do lado de fora do tribunal de Miami na segunda-feira foi relativamente tranquila, destacada por um único homem apoiador dos irmão, vestindo um moletom preto com capuz e segurando um cartaz de papelão chamando os Tate de “heróis”.
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