O Parlamento de Israel aprovou, na terça-feira (14), uma lei para suspender a prisão de estudantes ultraortodoxos que se recusarem a cumprir o serviço militar, medida que provocou críticas da oposição diante da escassez de efetivo enfrentada pelas Forças Armadas. O projeto de lei foi aprovado em suas duas últimas votações por 58 votos a 54, poucos dias antes de o Knesset, o Parlamento unicameral israelense de 120 cadeiras, ser dissolvido para as eleições de 27 de outubro. Durante meses, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu conduziu negociações tensas sobre o tema com os partidos ultraortodoxos que apoiam seu governo. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Os líderes dessa comunidade fechada há muito tempo se opõem ao recrutamento, argumentando que o serviço militar afastaria os jovens dos estudos religiosos e enfraqueceria seu modo de vida. Segundo um acordo que remonta à fundação do país, em 1948, os ultraortodoxos dedicados integralmente aos estudos religiosos têm sido isentos do serviço militar. No entanto, nos últimos anos, aumentaram as pressões para integrá-los às Forças Armadas, enquanto Israel se viu envolvido em guerras em múltiplas frentes. A Suprema Corte de Israel também questionou repetidamente essa isenção, culminando em uma decisão de 2024 segundo a qual o governo deve recrutar os ultraortodoxos. Com a aprovação da medida, espera-se que Netanyahu conte com o apoio das duas legendas ultraortodoxas —Shas e Judaísmo Unido da Torá— nas eleições de outubro. Segundo a nova legislação, ficam suspensas até 30 de novembro as prisões de estudantes em idade de serviço militar matriculados em seminários judaicos ultraortodoxos —conhecidos como yeshivás. Será reconhecido como estudante quem dedicar pelo menos 45 horas semanais ao estudo de textos religiosos e se espera que o Ministério da Defesa elabore uma lista de yeshivás cujos alunos estarão abrangidos pela aplicação da lei. O período eleitoral começará oficialmente na sexta (17), quando o Parlamento entrará em recesso. A partir desse momento, o governo passará a atuar em caráter interino e ficará impedido de avançar com grandes iniciativas políticas, exceto por legislações amplamente consensuais, questões regulatórias de rotina ou medidas necessárias para atender às necessidades de segurança. Netanyahu afirmou em junho que, após as eleições, pretende formar um amplo governo de unidade nacional. Atualmente, o primeiro-ministro lidera uma coalizão estreita que inclui grupos de extrema direita e partidos ultraortodoxos.
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