Ataques a instalações de gás no Irã e uma nova onda de mísseis contra Israel marcaram a escalada do conflito nesta terça-feira (24), um dia após o presidente Donald Trump anunciar supostas negociações em andamento. Teerã nega qualquer diálogo com Washington. Segundo a imprensa iraniana, duas instalações de gás e um gasoduto foram atingidos. Os alvos incluem um edifício administrativo do setor de gás e uma estação de regulação de pressão em Isfahan, ambos parcialmente danificados. Outro ataque teria atingido um gasoduto ligado a uma usina elétrica no sudoeste do país, sem informações detalhadas sobre a extensão dos danos. Horas depois, o Irã lançou uma nova onda de mísseis contra Israel, acionando sirenes em Tel Aviv. Edifícios residenciais foram atingidos, e equipes de resgate realizaram buscas por civis sob os escombros. Segundo a imprensa, quatro pessoas ficaram feridas, nenhuma em estado grave. Ruas da cidade foram cobertas de escombros e a lateral de um prédio de três andares foi completamente destruída. De acordo com a imprensa, autoridades israelenses estimam que os danos foram causados por um míssil de fragmentação com três a quatro ogivas, cada uma contendo cerca de 100 quilos de explosivos. O Irã também manteve ataques contra países do Golfo. No Kuwait, linhas de energia foram atingidas por estilhaços da defesa aérea, causando interrupções parciais de eletricidade. Sirenes de alerta de mísseis soaram no Bahrein, e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou ter destruído 19 drones iranianos. As ofensivas ocorrem em um momento de sinais contraditórios sobre uma possível saída diplomática para o conflito, que já está em sua terceira semana. Trump afirmou na segunda que houve conversas “muito boas e produtivas” com Teerã e anunciou o adiamento por cinco dias de um plano para atacar usinas de energia iranianas, condicionando a suspensão a uma reabertura do estreito de Hormuz. Autoridades israelenses disseram acreditar que o presidente americano busca um acordo, mas consideram improvável que o Irã aceite as exigências de Washington. Teerã, por sua vez, negou qualquer negociação. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou EUA e Israel de divulgarem informações falsas para influenciar mercados e encobrir a situação do conflito. Os preços do petróleo tiveram um alívio momentâneo após o anúncio de Trump, mas voltou a subir nesta terça. O site Axios informou que negociadores americanos, como Steve Witkoff e Jared Kushner, podem se reunir com uma delegação iraniana no Paquistão ainda nesta semana, possivelmente com a participação do vice-presidente dos EUA, J. D. Vance. O regime iraniano anunciou nesta terça-feira a nomeação de Mohammad Baqer Zolqadr como novo chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Ele substitui Ali Larijani, que foi morto em um bombardeio israelense na semana passada. Ele era considerado o principal operador do regime islâmico do Irã e o verdadeiro poder por trás da ascensão do novo líder supremo do país, Mojtaba Khamenei. Além disso, tinha a reputação de ser capaz de fazer a ponte entre os elementos militares linha-dura do país e os grupos políticos mais moderados. Na outra frente da guerra, Israel anunciou que irá ocupar militarmente o sul do Líbano mais uma vez, algo que fez de 1982 a 2000. “As Forças de Defesa de Israel irão controlar as pontes remanescentes e a zona de segurança até o rio Litani”, disse o ministro Israel Katz (Defesa) nesta terça-feira (24), colocando em palavras o que a prática no campo de batalha já desenhava. O rio marca o limite da zona de exclusão que havia sido consagrada pela resolução 1701 da ONU, que tratou do cessar-fogo da guerra de 2006 entre o Hezbollah, aliado de Teerã, e o Estado judeu. Isso gera temores no Líbano de uma anexação definitiva por parte do vizinho, como defendem abertamente os partidos de direita religiosa que integram a coalizão de Binyamin Netanyahu, advogados da ideia de um Grande Israel.
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