Forças armadas de Israel retomaram fortes bombardeios sobre a Faixa de Gaza após ordens do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que indicam a retomada do genocídio. Também nesta terça-feira (28) um alto funcionário dos Estados Unidos disse à rede Al Jazeera que o cessar-fogo, patrocinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda estaria em vigor, apesar das ameaças israelenses. “O acordo de cessar-fogo ainda está em vigor em Gaza, e continuamos trabalhando para implementar o plano de paz do presidente Trump”, disse o alto funcionário, sob condição de anonimato. “A transição para uma paz permanente em Gaza é uma tarefa difícil após dois anos de conflito na Faixa de Gaza.” A Defesa Civil de Gaza disse que os bombardeios desta terça-feira já mataram dois civis e feriram quatro, “entre eles uma criança e um bebê, ficaram feridos em um ataque aéreo israelense contra uma residência no bairro de al Sabra, no sul da Cidade de Gaza”, declarou à AFP o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Basal. “O plano de paz para Gaza enfrentará desafios e o governo dos EUA está fazendo esforços intensos para progredir. Não estaremos satisfeitos até que a estabilidade seja alcançada em Gaza, uma transição para o governo civil seja concretizada e progressos tangíveis sejam feitos em direção à paz”, afirmou Basal. Netanyahu ordenou que suas tropas ataquem imediatamente a Faixa de Gaza, após acusar o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo patrocinado pelos Estados Unidos. Após uma reunião de segurança, “o primeiro-ministro Netanyahu ordenou ao Exército realizar imediatamente poderosos bombardeios na Faixa de Gaza”, indicou um comunicado de seu gabinete, sem dar mais detalhes. Israel acusa o Hamas de violar a trégua vigente desde 10 de outubro em Gaza, depois que o grupo palestino devolveu os restos de um prisioneiro israelense, cujo corpo, em parte, já havia sido recuperado pelo Exército israelense. “Trata-se de uma violação flagrante do acordo”, denunciou o gabinete de Netanyahu, referindo-se ao pacto negociado sob o patrocínio do presidente estadunidense Donald Trump. Por sua vez, o Gabinete de Imprensa do governo de Gaza acusou Israel de cometer 125 violações do cessar-fogo desde que o acordo entrou em vigor no dia 10 de outubro, incluindo a morte de 94 palestinos. O Hamas anunciou que adiaria a entrega a Israel — inicialmente prevista para as 18h GMT (15h de Brasília) — do corpo de outro prisioneiro, “encontrado em um túnel ao sul de Gaza”. “Adiaremos a entrega prevista por violações da ocupação”, acrescentou o braço armado do Hamas, as Brigadas Ezedin al-Qasam, e afirmou que “qualquer escalada sionista dificultará as buscas, as escavações e a recuperação dos corpos”. O alto funcionário estadunidense ouvido pela Al Jazeera disse que “localizar os corpos dos prisioneiros israelenses em Gaza é difícil, desafiador e demorado. O Centro de Coordenação Civil-Militar desempenhou um papel vital ao trazer equipes técnicas egípcias para Gaza para recuperar os corpos.” ‘Quebrar suas pernas’ Em virtude da primeira fase do acordo de cessar-fogo, o Hamas libertou, em 13 de outubro, os 20 prisioneiros vivos que ainda mantinha em Gaza desde seu ataque sem precedentes contra Israel em 7 de outubro de 2023. Também deveria entregar nesse mesmo dia os corpos de 28 cativos falecidos, mas até agora só restituiu 15, alegando dificuldades para localizá-los no território devastado pelo genocídio israelense. Famílias de prisioneiros israelenses cobram de Netanyahu mais violência contra os palestinos de Gaza. Para o ministro da extrema direita Itamar Ben Gvir, responsável pela Segurança Interna, o fato de “o Hamas continuar jogando e não entregar imediatamente todos os corpos” prova que “ainda está de pé”. “É hora de quebrar suas pernas de uma vez por todas”, concluiu. Antes do anúncio israelense, o porta-voz do Hamas, Hazem Qasem, disse à AFP que o movimento estava “decidido a entregar os corpos assim que forem localizados” e acrescentou que, em um território devastado por dois anos de combates, recuperá-los é “complexo e difícil”. ‘Vergonha” A relatora especial da Organização das Nações Unidos (ONU) Francesca Albanese afirma que não é surpreendente que Israel esteja atacando Gaza novamente, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA. Ela culpou os estados-membros da ONU por ignorarem o genocídio cometido por Israel nos últimos dois anos, apesar dos esforços dos tribunais internacionais para conter o governo de extrema direita do primeiro-ministro Netanyahu. O Tribunal Internacional de Justiça pediu a Israel que permita a entrada de ajuda humanitária em Gaza, declarou que a ocupação do território palestino é ilegal e exigiu a retirada das tropas, bem como o desmantelamento dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada. “Essas são as linhas vermelhas, e diante delas, os estados-membros continuam encenando esse teatro do absurdo”, disse Albanese. “Tenho vergonha, não apenas como advogada, mas como ser humano, porque sei que, para os palestinos em Gaza, o genocídio não terminará, e para os palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, a violência por parte de soldados e colonos não cessará enquanto Israel tiver permissão para manter suas tropas no terreno, controlando e determinando o destino dos palestinos”, concluiu Albanese.
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