O exército israelense voltou a violar o cessar-fogo e bombardeou a Faixa de Gaza novamente neste sábado (1º). O país alega que os três corpos recebidos na sexta-feira (31) não correspondem a nenhum dos prisioneiros capturados pelo Hamas, em 7 de outubro de 2023. Segundo uma fonte palestina, disparos e ataques aéreos do exército israelense foram ouvidos nos arredores de Khan Yunis, na parte sul do território, neste sábado. Não há informações sobre vítimas. O cessar-fogo entre Israel e o Hamas está em vigor desde 10 de outubro, após um acordo de trégua articulado pelos Estados Unidos. Israel, no entanto, já lançou dois bombardeios massivos contra Gaza, matando mais de 100 pessoas, após acusar o grupo palestino de violar o acordo de cessar-fogo. “A vida não tem sentido”, disse Sumaya Dalul, após os últimos ataques israelenses. “Não temos dinheiro, trabalho, comida, água, eletricidade ou internet”, acrescentou a mulher, que mora em Gaza com os pais. Os ataques aéreos de 19 de outubro mataram pelo menos 45 pessoas ao longo da faixa costeira, segunda fontes palestinas. Os bombardeios de terça-feira deixaram 104 mortos, de acordo com as mesmas fontes. Devolução de corpos O acordo de cessar-fogo estipulou a devolução de todos os priosioneiros, vivos e mortos, a Israel em troca da libertação de centenas de prisioneiros palestinos. Após a implementação da trégua, o Hamas libertou os últimos 20 sobreviventes mantidos em Gaza, em 13 de outubro, e iniciou o processo de devolução dos corpos dos prisioneiros mortos. No entanto, sucessivos atrasos na entrega dos corpos irritaram o governo israelense, que acusou o Hamas de violar o acordo de cessar-fogo. As famílias dos reféns também exigiram medidas mais energéticas para forçar o grupo palestino a cumprir o acordo. O grupo palestino já entregou os restos mortais de 17 dos 28 reféns mortos, em virtude do acordo. Na manhã de sábado, um laboratório forense informou que os três corpos entregues no dia anterior pelo Hamas, por meio da Cruz Vermelha, não correspondiam a nenhum dos prisioneiros, segundo uma porta-voz do exército israelense. As brigadas Ezedin al-Qassam, o braço armado do Hamas, explicaram em um comunicado que propuseram entregar a Israel três amostras de um certo número de restos mortais não identificados. No entanto, Israel se recusou a aceitar as amostras e os padrões dos corpos para examiná-los. Disparos em Khan Yunis Em Gaza, a situação humanitária e de segurança continua alarmante. “Ontem à noite ouvi disparos das forças de ocupação várias vezes. Não temos comida nem água para beber ou para nos lavar. A situação é crítica. O cessar-fogo começou, mas a guerra não acabou”, disse Hisham al-Bardai à AFP. O acordo de cessar-fogo prevê a mobilização de uma força internacional de estabilização no território palestino, composta principalmente por países árabes e muçulmanos, para supervisionar a segurança durante a retirada do exército israelense.
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