Os 50 anos do assassinato do jornalista Vladmir Herzog, completados nesta sexta-feira (24), serão relembrados por jornalistas no Salão Nobre da Associaçao Riograndense de Imprensa (ARI). Elmar Bones e Rafael Guimarães, com mediação de Márcia Turcato, contarão suas lembranças sobre a ditadura e a perseguição aos jornalistas, a censura e os crimes contra a liberdade de imprensa, neste sábado (25), às 10h. Após haverá um almoço no bar da entidade. O evento é uma promoçao conjunta da ARi com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e a Associação de Ex-presos Políticos do Rio Grande do Sul (AEPP-RS) . Elmar Bones e Rafael Guimarães trabalhavam no Coojornal, mensário editado pela Cooperativa dos Jornalistas do Rio Grande do Sul. Também sofreram perseguição por matéria publicada sobre corrupção no Exército. Trajetória de Vlado Conforme o site do Instituto Vladimir Herzog, o jornalista assassinado que ficou conhecido mundialmente como um símbolo da luta contra a ditadura militar brasileira e a favor da democracia nasceu em Osijek (então parte da Iugoslávia, atualmente Croácia) em 27 de junho de 1937. Vlado morou em Banja Luka, onde seus pais tinham um comércio, até agosto de 1941, quando o exército nazista ocupou a cidade. A família então partiu para a Itália. No novo país, até 1944, a família Herzog morou em três cidades: Fonzaso, Fermo e Magliano di Tenna. Depois, mudaram-se para um campo de refugiados em Bari, onde permaneceram por dois anos. No fim de 1946, emigraram para o Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro no dia 24 de dezembro. Por aqui, a família migrou para São Paulo, onde Vlado passou boa parte do final da infância e juventude. Se formou no curso clássico do Colégio Estadual de São Paulo, participou de grupos de teatro amadores e ingressou na Faculdade de Filosofia na Universidade de São Paulo – onde conheceu Clarice Ribeiro Chaves, sua futura esposa. Sua carreira como jornalista começou em 1959, como repórter em O Estado de S. Paulo. Ali, cobriu a inauguração de Brasília, a visita de Jean-Paul Sartre ao Brasil e a posse de Jânio Quadros. Em 1962, foi à Argentina cobrir o Festival de Mar del Plata. Entusiasmado, na volta iniciou a carreira no jornalismo cultural, em especial a crítica de cinema. Vlado também se dedicou a produção cinematográfica, realizando o documentário em curta-metragem Marimbás e colaborando em outras duas obras – Subterrâneos do futebol (Maurice Capovilla) e Viramundo (Geraldo Sarno). Como jornalista e comunicador, passou pela TV Excelsior, Rádio BBC de Londres – o que o levou a morar na Europa e revisitar as cidades de seu passado –, Revista Visão, agência de publicidade J. Walter Thompson, TV Universitária da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), jornal Opinião e foi professor de jornalismo da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Pela TV Cultura, teve duas passagens: em 1973, a convite do amigo Fernando Pacheco Jordão, para coordenar a redação do jornal Hora da Notícia, e quando assumiu a direção de jornalismo em setembro de 1975. Assassinado pela ditadura militar Em 24 de outubro de 1975, militares haviam procurado Vlado na emissora. O próprio jornalista combinou que estaria disponível na manhã do dia 25 para o interrogatório. Herzog compareceu espontaneamente à sede do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi/SP), na Vila Mariana, em São Paulo, para depor. Ali, foi assassinado. Além da tortura e violência, forjaram uma falsa versão de suicídio, que não se sustentou e levou uma multidão de mais de 8 mil pessoas à Catedral da Sé e todo o entorno para a missa de 7º dia do jornalista. O ato ecumênico, com D. Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Nelson Wright foi um marco na luta pela Democracia e na derrocada do regime ditatorial.
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