A Corte de Cassação da França, mais alto tribunal do país, confirmou nesta quarta-feira (26) a condenação do ex-presidente Nicolas Sarkozy em caso em que ele se beneficiou de financiamento ilegal durante a campanha eleitoral de 2012. Este é um processo diferente daquele que o levou à prisão neste ano. Sarkozy, 70, foi condenado em fevereiro de 2024 a 12 meses de prisão, dos quais 6 meses de cumprimento obrigatório. As investigações revelaram que foi criado um sistema de duplo faturamento para ocultar o aumento dos gastos de sua campanha em 2012, quase o dobro do limite autorizado de € 22,5 milhões (cerca de R$ 140 milhões). O sistema atribuía ao então partido conservador UMP uma grande parte do custo dos comícios, sob o pretexto de convenções partidárias que não existiram. Sarkozy sempre rejeitou qualquer “responsabilidade penal” no caso. Ao julgar o recurso, o tribunal superior impôs uma pena inferior à de primeira instância, que em 2021 havia sentenciado Sarkozy a um ano de prisão sem suspensão da pena, e abriu a possibilidade de que ele cumpra a sentença em casa, com uma tornozeleira eletrônica. A condenação pelo chamado caso Bygmalion é a segunda definitiva contra ex-presidente francês após o chamado caso das escutas. Em virtude deste último, ele já usou entre fevereiro e maio deste ano uma tornozeleira eletrônica. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo O líder de centro-direita do país entre 2007 e 2012 ainda enfrenta outros processos judiciais. Entre 16 de março e 3 de junho, será julgado um recurso em outro caso sobre suposto financiamento ilegal de sua primeira campanha presidencial. Em setembro, a Justiça o condenou a cinco anos de prisão por permitir que pessoas próximas a ele se aproximassem da Líbia do ditador Muammar Gaddafi, morto em 2011, para obter fundos com os quais financiou ilegalmente a campanha que o levou ao poder em 2007. Embora Sarkozy coubesse recurso, o tribunal ordenou a aplicação imediata da pena, razão pela qual o ex-presidente passou 20 dias na prisão parisiense de La Santé entre outubro e novembro antes de obter liberdade condicional. No próximo dia 10 ele deve publicar um livro sobre sua experiência na prisão, a primeira de um ex-chefe de Estado francês desde o final da Segunda Guerra Mundial.
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