A Justiça do Peru anulou a condenação a 15 anos de prisão do ex-presidente Ollanta Humala por lavagem de dinheiro e pela acusação de receber contribuições ilegais da Odebrecht e do regime da Venezuela, segundo uma decisão divulgada nesta quinta-feira (30), o que permite à defesa iniciar o pedido de liberdade. “Foi decidido declarar a nulidade de todo o processo penal movido contra Ollanta Moisés Humala Tasso”, afirma a decisão do Tribunal Constitucional, com data de 15 de julho. O tribunal julgou um habeas corpus, recurso que protege contra uma detenção ilegal, apresentado em janeiro pelos advogados de Humala, 64. Na sentença, o Tribunal decidiu “declarar procedente a ação, ao considerar comprovada a violação dos princípios de legalidade e tipicidade, conexos ao direito à liberdade pessoal”. A Justiça peruana condenou Humala em abril de 2025 a 15 anos de prisão após considerá-lo culpado de lavagem de dinheiro em um esquema de contribuições ilegais de Caracas e da empreiteira brasileira para suas campanhas de 2006 e 2011, respectivamente. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo “Recebemos com bastante satisfação uma sentença que declarou procedente o habeas corpus e, consequentemente, determinou a nulidade de todo o processo”, confirmou Wilfredo Pedraza, advogado do ex-presidente. Pedraza indicou que, para obter a liberdade de Humala, apresentará a decisão da corte à turma judicial em que se encontra o recurso de apelação do caso. “Espero que esta turma possa analisá-la. Na verdade, precisa apenas cumprir o mandado e determinar a liberdade do senhor Humala”, disse Pedraza à rádio RPP. Humala está preso em uma unidade especial para ex-presidentes na zona leste de Lima. O Ministério Público acusou Humala e sua esposa, Nadine Heredia, de lavagem de dinheiro por supostamente ocultarem que receberam US$ 3 milhões da Odebrecht durante a campanha de 2011 que o levou à Presidência, segundo declarou aos procuradores peruanos o ex-presidente da empresa brasileira, Marcelo Odebrecht. De acordo com a denúncia, em sua fracassada campanha de 2006, o casal também teria desviado quase US$ 200 mil enviados pelo então líder da Venezuela, Hugo Chávez, por meio de uma empresa daquele país. A Odebrecht, cujo escândalo de propinas e corrupção afetou vários países da América Latina, reconheceu em 2016 que pagou dezenas de milhões de dólares em subornos e doações eleitorais ilegais no Peru desde o começo dos anos 2000. Segundo o MP, o escândalo também envolveu os ex-presidentes Alan García (2006-2011), que cometeu suicídio em 2019 antes de ser preso; Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), ainda investigado; e Alejandro Toledo (2001-2006). Toledo foi condenado em outubro de 2024 a mais de 20 anos de prisão por receber propinas milionárias em troca de obras em seu governo. A esposa de Humala, Nadine Heredia, também foi condenada a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro, mas, após tomar conhecimento da sentença, pediu asilo no Brasil, onde vive desde então.
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