Menos de 24 horas após Israel, Líbano e Estados Unidos assinarem em Washington um acordo para interromper as hostilidades, um ataque de drone israelense atingiu neste sábado (27) a região de Nabatieh, no sul do Líbano, segundo a agência estatal libanesa NNA. O episódio lança novas dúvidas sobre a implementação do entendimento anunciado na véspera e evidencia a fragilidade da trégua. O Exército de Israel disse que seu ataque aéreo teve “combatentes suspeitos” como alvo. Até a última atualização deste texto, não havia detalhes sobre vítimas. Tel Aviv tem afirmado que continuará realizando operações contra integrantes e estruturas do Hezbollah enquanto considerar que o grupo extremista representa uma ameaça, mesmo após o acordo mediado pelos Estados Unidos. O entendimento assinado na sexta-feira (26) foi apresentado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, como o primeiro passo para uma paz duradoura entre Israel e Líbano. O documento prevê a criação de mecanismos de coordenação militar e o avanço gradual de medidas para reduzir a presença do Hezbollah em partes do sul libanês, mas deixa em aberto questões centrais, como a retirada das tropas israelenses e o desarmamento do grupo. Apesar do acordo, autoridades israelenses já haviam deixado claro que pretendem manter sua zona de segurança no sul do Líbano e continuar atacando alvos considerados ligados ao Hezbollah. O grupo, por sua vez, rejeita qualquer desarmamento, enquanto líderes políticos libaneses alertam que impor essa condição pode provocar uma nova crise interna. O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou neste sábado que o acordo é “nulo”, uma “humilhação” e uma rendição. Disse ainda que qualquer tentativa de vincular a retirada de Israel do sul do Líbano ao desarmamento do grupo ultrapassa “linhas vermelhas”. O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao seu aliado iraniano, na sequência de uma ofensiva de Washington e Tel Aviv contra Teerã em 28 de fevereiro. Rubio afirmou que o acordo trilateral estabelece “uma estrutura para uma paz e segurança duradouras”. “É o começo do começo. Há muito trabalho pela frente”, acrescentou durante a cerimônia de assinatura em Washington, que contou com a presença de representantes de Israel e do Líbano. O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que este é um “primeiro passo” para restaurar a soberania do Líbano, livre de “ocupação”, “subordinação” ou “tutela”. No entanto, Hassan Fadlalla, parlamentar da ala política do Hezbollah, argumentou que o texto traz o risco de uma “guerra civil” caso as autoridades libanesas o implementem. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, saudou o documento como uma vitória contra o Irã. Além disso, afirmou que os civis libaneses deslocados da chamada “zona de segurança” que as forças israelenses estabeleceram no sul do Líbano não terão permissão para retornar às suas casas. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Teerã sustenta que o conflito de Israel no Líbano contra seu aliado Hezbollah é indissociável da guerra mais ampla e deve fazer parte do acordo final que está sendo negociado entre Washington e Teerã. Após o anúncio do acordo, apoiadores do Hezbollah foram às ruas de Beirute e bloquearam pelo menos uma via com pneus em chamas, segundo a agência NNA. Um correspondente da agência AFP também observou tropas do Exército libanês montando postos de controle temporários em várias ruas.
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