Ao discursar na abertura do Fórum Econômico da América Latina e Caribe, o presidente Lula criticou a atuação da Celac – a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos. Ou melhor, a falta de atuação. Segundo Lula, o bloco está paralisado. Nem ao menos se pronunciou quanto às intervenções militares na região, numa referência às ações dos Estados Unidos na Venezuela. “Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano”. E, sem citar Trump, completou: “A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é outra referência inescapável, seja pela sua presença ou pelo seu distanciamento, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas”. O presidente reforçou a necessidade de união e integração da região. Falou em multilateralismo, democracia, paz e estabilidade política, econômica e social. Lula ainda defendeu a neutralidade do Canal do Panamá, algo questionado por Trump que ameaçou retomar o controle da via interoceânica. “A integração e a infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas”. Lula participou do evento como convidado e, no discurso, aproveitou para fazer um balanço da atuação brasileira no âmbito regional e internacional. Lembrou a saída do Brasil, mais uma vez, do mapa da fome. E completou: “a única guerra que precisamos travar é contra a fome e a desigualdade”. E as armas para isso, segundo o presidente, são integração, investimento e parcerias.
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