O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, ofereceu ajuda ao governo de Donald Trump para capturar líderes do cartel de drogas Tren de Aragua após os Estados Unidos mobilizarem militares para ataques contra embarcações de supostos narcotraficantes no Caribe. A oferta faz parte do esforço de Maduro para restabelecer conversas com Washington, que está concentrando tropas e navios de guerra próximos às águas venezuelanas e que explodiu barcos que transportavam supostos criminosos, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram para não ser identificadas. Maduro disse que poderia ajudar a localizar os chefes mais procurados da Tren de Aragua, uma gangue venezuelana que opera em vários países da América e que se tornou uma prioridade para Trump. O líder venezuelano fez a proposta ao enviado americano Ric Grenell no início deste mês, junto com uma carta ao presidente Donald Trump pedindo diálogo direto para aliviar as tensões, disseram as pessoas. No documento, Maduro negou que a Venezuela seja a origem de drogas ilegais destinadas aos EUA. “Respeitosamente convido você, presidente, a promover a paz com diálogo construtivo e entendimento mútuo em todo o hemisfério”, escreveu Maduro. Uma cópia da carta foi vista pela agência Bloomberg. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo O Ministério da Informação da Venezuela e Grenell não responderam aos pedidos de comentário. Grenell disse à emissora americana CBS News esta semana que permanece em contato com a equipe de Maduro, sem dar detalhes. “O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela, é um cartel narcoterrorista, e Maduro não é um presidente legítimo”, escreveu um funcionário da Casa Branca em comunicado, em resposta a um pedido de comentário. “A política do governo é de ‘pressão máxima’ sobre o regime de Maduro, e não estão ocorrendo negociações que possam potencialmente beneficiar o regime.” A gangue Tren de Aragua se expandiu da Venezuela para lugares tão distantes quanto Canadá e Chile, e está envolvida em extorsão, tráfico de pessoas, armas e drogas, prostituição, mineração ilegal, roubo e sequestro. Acredita-se que alguns de seus líderes estejam fora do território venezuelano. A Constituição da Venezuela proíbe a extradição de seus próprios cidadãos, o que pode limitar as opções de Maduro. O irmão de Héctor “Niño” Guerrero, o principal líder da gangue, foi preso no ano passado na Espanha. Trump tem como alvo venezuelanos nos EUA que supostamente integram a Tren de Aragua, prendendo centenas e enviando-os para serem encarcerados em El Salvador. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Nas últimas semanas, pelo menos 14 pessoas morreram em ataques dos EUA a embarcações que, segundo o país, contrabandeavam drogas da Venezuela. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e Trump descreveram Maduro não como um chefe de Estado, mas como um chefe de cartel, embora Washington tenha enviado sinais contraditórios sobre se busca uma mudança no regime. Apesar das ameaças, Maduro prometeu continuar permitindo voos de deportação dos EUA para Caracas. A companhia americana Chevron Corp também mantém uma licença para bombear e exportar petróleo venezuelano.
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