O ditador Nicolás Maduro pediu à Suprema Corte da Venezuela para retirar a nacionalidade do líder opositor Leopoldo López. Ele acusa López de articular uma invasão militar dos Estados Unidos ao país, informou neste sábado (25) o regime. Não há nenhum antecedente de venezuelanos por nascimento que perderam a nacionalidade. A Constituição da Venezuela inclusive proíbe essa medida. Caracas tem responsabilizado López e outros opositores de atuarem para a derrubada de Maduro. Agora o regime os acusa de apoiarem os ataques americanos a embarcações nas águas da América do Sul A Casa Branca tem repetido que as operações são contra o narcotráfico. Maduro insiste que as ações visam destituí-lo do poder. O chanceler venezuelano, Yván Gil, informou em seu canal no Telegram que Maduro “apresentou um recurso perante o Tribunal Supremo de Justiça para retirar a nacionalidade de Leopoldo López”. O TSJ, controlado pelo chavismo, ainda não havia se manifestado sobre o caso. A solicitação foi feita “em razão de seu grotesco, criminoso e ilegal chamado à invasão militar da Venezuela, a promoção permanente do bloqueio econômico, assim como o chamado para assassinar massivamente os venezuelanos em cumplicidade com governos e inimigos estrangeiros”, declarou Gil. O decano da Faculdade de Ciências Jurídicas e Políticas da Universidade Central da Venezuela (UCV), Juan Carlos Apitz, disse à AFP que “somente os naturalizados poderiam perder a cidadania, e unicamente mediante sentença judicial firme”. Porta-vozes da ala mais radical do chavismo sugeriram no passado retirar a nacionalidade de vários opositores ao acusá-los de traidores da pátria. O pedido de Maduro evoca a retirada de nacionalidade de centenas de opositores na Nicarágua, um dos principais aliados ditador venezuelano. Ex-prefeito do município de Chacao, vizinho de Caracas, López foi sentenciado em 2015 a quase 14 anos de prisão acusado de incitar à violência em protestos antigovernamentais que deixaram 43 mortos e cerca de 3.000 feridos em 2014. Em 2017, recebeu prisão domiciliar. Dois anos depois, participou de uma fracassada insurreição militar contra Maduro. Após o fracasso do plano, refugiou-se na casa do embaixador espanhol em Caracas, de onde saiu em 2020 rumo a Madri, onde vive exilado.
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