Para celebrar seu aniversário de 100 anos, em 2021, o filósofo, sociólogo e historiador francês Edgar Morin lançou o livro “Lições de um século de vida”. A obra faz um panorama da trajetória do intelectual e do próprio século 20: seus horrores, suas utopias que deram errado, suas revoluções que trouxeram esperança. Morin, que faleceu nesta sexta-feira (29) aos 104 anos, foi autor de mais de 80 livros e criou o conceito de “pensamento complexo”, que parte do princípio de que, para lidar com os problemas da contemporaneidade, é preciso superar a fragmentação do conhecimento. Assim Morin propôs a integração de disciplinas como biologia, história e filosofia. Pensador à frente do seu tempo, Morin alertou em uma conferência em 1982, quando a revolução da informática ainda estava engatinhando, que “se esse processo se tornasse dominante, pela primeira vez o saber seria produzido não para ser pensado, refletido, discutido entre os seres humanos, mas essencialmente para ser armazenado e manipulado por instâncias anônimas”. O intelectual se manteve ativo até o fim da vida. Jean-Luc Mélenchon, liderança do partido de esquerda radical França Insubmissa, postou homenagens na rede social X e lembrou que, aos 102 anos, Morin participou de protesto contra o genocídio de palestinos em Gaza. “Um exemplo nunca morre”, escreveu. O presidente francês, Emmanuel Macron, também usou as redes sociais para homenagear Morin: “Soldado da Resistência, militante e homem liberto, escritor e pensador do século, defensor da natureza e das pessoas, Edgar Morin era o humanismo encarnado”. No Brasil, o teólogo e colunista do Brasil de Fato Leonardo Boff repercutiu a notícia da morte: “Sou profundamente grato a Edgar Morin que marcou muito minha visão do mundo, por aquilo que ele deu como fator fundamental- a complexidade- para entender o processo da evolução, a sociedade humana e cada pessoa”. A ex-ministra da Saúde Nísia Trindade, lembrou quando conheceu pessoalmente o intelectual francês: “Foi um momento raro conhecê-lo e recebê-lo na Fiocruz, em 2019. Além da relevância de seu trabalho intelectual, Morin nos encantava com as histórias da resistência ao nazifascismo e de sua participação na resistência francesa”.
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