A luta antirracista, a defesa da democracia e a reivindicação por reparação histórica voltam a tomar conta da orla de Copacabana no próximo domingo, dia 26, com a realização da 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro. A concentração está marcada para as 10h, no Posto 2. A mobilização faz parte da programação do Julho das Pretas e reúne mulheres negras de diversas cidades fluminenses em um dos maiores atos políticos do movimento negro no estado. A expectativa, segundo as organizadoras, é reunir entre dez mil e 15 mil pessoas. Neste ano, a marcha traz como tema: “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver”. Segundo a coordenadora da Marcha das Mulheres Negras, Clatia Vieira, o objetivo principal da ação é unir forças e trazer não somente visibilidade, mas também respeito. “A gente não vê na mídia, em julho, sequer em julho, falando da luta. A gente precisa dizer que as mulheres negras estão se levantando, que estão lutando para que tenham espaço, visibilidade e, sobretudo, respeito. Paralelamente ao respeito, a nossa luta é para que as mulheres negras sigam vivas, porque a nossa vida é ameaçada todos os dias. Quando a gente fala das mulheres negras, a gente está falando do quilombo. Então, a gente está falando dos homens, dos jovens…” Mais do que participar de uma manifestação, a proposta é fortalecer a organização das mulheres negras em seus territórios. A ideia é estimular a criação de fóruns locais, ampliar o debate sobre o racismo e cobrar do poder público ações e políticas voltadas para a população negra. Palco simbólico e político A escolha de Copacabana como palco da marcha tem significado simbólico e político. Segundo a ativista Rose Cipriano, o bairro representa um espaço historicamente marcado por desigualdades raciais e sociais. “Primeiro, porque é um lugar que representa o poder, e muitas dessas mulheres sequer vieram à capital do Rio de Janeiro. Segundo, porque dialoga com um espaço de poder que a gente quer ocupar e dialoga também com um espaço onde nós sabemos que existem muitas trabalhadoras domésticas. E que, muitas vezes, a gente passa com a marcha e essas trabalhadoras não conseguem descer, ou ficam da janela espiando, ou ficam da janela batendo palmas. Então, assim, não é à toa que a gente escolhe Copacabana.” Além da dimensão política, a marcha também celebra a cultura afro-brasileira. Durante a concentração e o percurso, o público poderá acompanhar apresentações de jongo (também conhecido como caxambu), samba, feira de artesanato, atividades voltadas para crianças e manifestações ligadas às religiões de matriz africana. Considerada o maior movimento político de rua voltado ao protagonismo de mulheres negras na América Latina, a Marcha das Mulheres Negras teve sua primeira edição nacional em Brasília, em novembro de 2015. *Com colaboração de Carolina Pessôa
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