O ministro das Relações Exteriores do governo Lula (PT), Mauro Vieira, recebeu no Itamaraty a delegação de deputados argentinos que chegou a Brasília nesta terça-feira (1º) para uma rodada de encontros com autoridades brasileiras na tentativa de neutralizar a crise entre os países vizinhos. A princípio, a agenda do grupo não previa uma reunião com o chanceler. Durante a tarde, porém, uma funcionária da pasta informou que os políticos seriam recebidos no Itamaraty às 18h. Nicolás Massot, que lidera o grupo de nove deputados e uma senadora, disse ter sido informado que Vieira havia adiado seu voo ao Uruguai para receber os argentinos —o chanceler terá um encontro informal de ministros de Relações Exteriores do Mercosul nesta quarta (2) em Montevidéu. Pelas suas redes sociais, o Itamaraty disse que Vieira conversou com quatro deputados da comitiva sobre a relação entre os dois países e agradeceu aos parlamentares argentinos pela iniciativa. A conversa teria durado cerca de uma hora. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo A programação deve continuar na quarta (2), quando o grupo tem previsto um encontro com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, no Palácio do Planalto, e uma reunião com senadores, incluindo Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa. Em entrevista à Folha, Massot afirmou que a iniciativa busca mostrar que a maioria do mundo político argentino não está de acordo com a postura do presidente Javier Milei em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma grande maioria da representação política da Argentina discorda totalmente dessa situação e repudia as declarações de Milei”, afirmou nesta segunda (31). O deputado pela província de Buenos Aires se refere aos ataques do presidente argentino durante o lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), no final de julho. Na ocasião, o ultraliberal chamou o petista de ladrão, presidiário e “lixo socialista”, além de classificar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes de “lixo careca”. Esses ataques iniciais levaram à convocação do embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, e do representante de Brasília em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos. Novos xingamentos que se estenderam pelas semanas seguintes fizeram o governo Lula dispensar Raimondi e manter Bitelli no Brasil, rebaixando de forma inédita as relações com o país vizinho. Após a crise, Milei diminuiu consideravelmente suas atividades políticas e ficou 24 dias sem ir à Casa Rosada —o que colaborou para que as agressões cessassem. Há dez dias, porém, o presidente argentino voltou a falar sobre Lula durante uma entrevista à rádio Mitre a respeito de seu ex-assessor, Fernando Cerimedo, preso por supostamente ter planejado a tentativa de assassinato da companheira. Milei disse que o Brasil estaria por trás de uma susposta campanha online contra a Argentina, sem apresentar qualquer prova disso, e afirmou que um estudante ligado a Lula teria dado início ao boato de que, graças à crise econômica, os argentinos estão comendo carne de burro.
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