O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, disse em entrevista à rede alemã ARD que precisa aceitar que o presidente Donald Trump não compartilha de suas opiniões para poder trabalhar com os Estados Unidos na Otan, mas enfatizou que não há ligação entre a divergência recente entre eles e a redução planejada de soldados americanos na Europa. Merz descartou sugestões de que suas críticas ao planejamento de guerra dos EUA no Irã teriam provocado o anúncio de sexta-feira (1º) de Washington de que os EUA reduziriam sua presença militar na Alemanha, sua maior base no continente, em 5.000 soldados, e reiterou seu compromisso com a aliança transatlântica. Merz havia questionado se Trump tinha um plano de saída para o Oriente Médio e disse que os EUA estavam sendo humilhados nas negociações com o Irã. Trump posteriormente chamou Merz de líder “ineficaz”. “Tenho que aceitar que o presidente americano tem uma visão diferente da nossa sobre essas questões. Mas isso não muda o fato de que continuo convicto de que os americanos são parceiros importantes para nós”, disse Merz à emissora pública, em uma entrevista que será exibida ainda neste domingo. Questionado se os planos dos EUA de reduzir sua presença de tropas na Alemanha tinham algo a ver com o atrito entre os dois líderes, Merz disse: “Não há conexão”. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Trump já havia pedido a redução da presença militar americana na Alemanha durante seu primeiro mandato e tem repetidamente cobrado que os europeus assumam maior responsabilidade por sua própria segurança. Os atritos entre Bruxelas e Washington, intensificados desde que o americano deixou clara sua ambição para anexar a Groenlândia, um território da Dinamarca, chegam agora a seu ponto mais baixo com a recusa europeia de participar ativamente do conflito contra o Irã. O anúncio de sexta-feira também é visto como o cancelamento de um plano do governo do democrata Joe Biden de enviar um batalhão americano com mísseis Tomahawk de longo alcance para a Alemanha. A medida não deixar de ser um golpe para Berlim, que havia pressionado pela medida como um poderoso elemento de dissuasão contra a Rússia, enquanto os europeus desenvolvem armas próprias desse tipo. Merz disse que Trump nunca se comprometeu com esse plano e que era improvável que os EUA abrissem mão de tais sistemas de armas, acrescentando: “Se não me engano, os próprios americanos não têm o suficiente no momento”. Segundo relatórios enviados pelo governo americano ao Congresso, os militares americanos dispararam mais de 1.000 mísseis de cruzeiro Tomahawk, aproximadamente dez vezes o número que atualmente compram por ano, nos dois meses de conflito com Teerã. O Pentágono usou também mais de 1.200 mísseis interceptadores Patriot na guerra, ao custo de mais de US$ 4 milhões cada, e mais de 1.000 mísseis terrestres Precision Strike e ATACMS, deixando os estoques em níveis preocupantemente baixos, segundo estimativas internas do Departamento de Defesa e autoridades do Congresso.
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