Milhares de estudantes e professores foram às ruas na Grécia, nesta quarta-feira (21), exigindo mais verbas públicas para a educação, melhores instalações e salas de aula menos lotadas, em sintonia com manifestantes de outros países da Europa. Cerca de 10 mil manifestantes, entre alunos de escolas e universidades, participaram de atos pacíficos no centro e nos subúrbios de Atenas, informou a polícia. Outros aderiram a manifestações em cidades de todo o país, expressando solidariedade às mobilizações na França e em outras partes do continente contra a disparada do custo de vida e o que chamam de deterioração das condições estudantis.Os protestos aumentam a pressão sobre o governo de centro-direita do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, que enfrentará eleições em meados de 2027, enquanto os gregos lidam com salários estagnados, aluguéis elevados e custos crescentes de energia, anos após a crise da dívida do país. “Da Grécia à França, queremos educação pública e gratuita”, entoaram os manifestantes ao se reunirem diante do Parlamento. Estudantes haviam montado barracas na praça Syntagma, no centro da cidade, e realizado um protesto durante a noite antes da marcha desta quarta-feira. O funcionamento de escolas e hospitais públicos foi afetado depois que alguns professores do ensino fundamental e médicos cruzaram os braços em protesto contra os salários e a falta de pessoal. Antes dos protestos, a ministra da Educação, Sofia Zacharaki, afirmou estar ouvindo as reivindicações dos estudantes. Ela reconheceu que os custos de moradia pressionam as famílias gregas e disse que estão em andamento projetos no valor de mais de € 733 milhões (R$ 4,1 bilhões) para a construção de novas residências estudantis e a modernização das instalações.A Grécia ainda vive as consequências de uma crise da dívida que durou de 2009 a 2018, período em que gastos com educação foram cortados como parte de medidas de austeridade adotadas em troca de três pacotes internacionais de resgate do FMI (Fundo Monetário Internacional) no valor de cerca de € 290 bilhões (R$ 1,6 trilhão). O salário pode ter aumentado, mas o poder de compra real de muitos gregos ainda está entre os mais baixos da União Europeia e sofreu um novo golpe com a alta da inflação e a disparada dos preços dos combustíveis ligada à guerra no Irã. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris O salário médio mensal, de € 1.500 (cerca de R$ 8.500), permanece estagnado no patamar de 2009, e muitos jovens gregos já não conseguem arcar com uma moradia nas cidades devido à disparada dos aluguéis. “Sobreviver aqui é muito difícil, o aluguel é muito alto, e as casas são muito pequenas. Nossos pais não conseguem fechar as contas para pagar nosso aluguel, a eletricidade e nossa vida aqui”, disse a universitária Georgia Foukidou, 21, que participou do protesto em Atenas. As manifestações ocorrem após dias de protestos na França, na Albânia, na Espanha, na Itália e em Portugal. Os protestos na Grécia têm sido, em sua maioria, pacíficos nos últimos meses. O governo de Mitsotakis afirmou que os subsídios públicos e outras formas de auxílio para amparar famílias e empresas diante da alta dos custos de energia chegariam a cerca de € 1 bilhão.
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