Para presidente brasileiro, ascensão da extrema direita é efeito colateral das limitações da distribuição de recursos O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, neste domingo (19), da Feira de Hannover, na Alemanha, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo. Lula foi recebido pelo chanceler alemão Friedrich Merz e, nos próximos dias, terá uma agenda focada no futuro da indústria e da inovação. Em seu discurso de abertura, o presidente brasileiro destacou a urgência de um novo modelo de desenvolvimento global em que a cooperação esteja no foco e os ganhos com o desenvolvimento tecnológico e científico sejam compartilhados. “O crescimento do extremismo é um dos reflexos das limitações de um modelo cujos benefícios não chegam a todas as pessoas. Um novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, defendeu o presidente, em uma fala semelhante à realizada no sábado, na Espanha, em que condenou a guerra e as ameaças reiteradas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã. Lula também falou sobre as contradições do uso da tecnologia e investimentos para as guerras, diante das milhares vítimas civis, enquanto a fome ainda é um problema global. “A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, pontuou. O presidente também destacou os avanços tecnológicos brasileiros citando o sucesso do PIX e a infraestrutura robusta de supercomputadores brasileiros, representada pela parceria entre o Sirius e pelo laboratório Orion, presentes no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O contexto da visita mostra que a participação brasileira é estratégica para a retomada da política industrial do país. “Colocamos em marcha o novo programa de reindustrialização, tendo como motores a economia verde e a indústria 4.0. O convite à Feira de Hannover consolida a posição do Brasil como parceiro confortável em um mundo de instabilidade e incerteza”, disse o brasileiro. Nesta edição da feira, que ocorre anualmente, o evento homenageia o Brasil. A saída da crise climática e a necessidade de se criar alternativas para o uso do petróleo foi outro pilar central da fala presidencial. Lula reforçou o compromisso brasileiro com o desmatamento zero na Amazônia até 2030. O presidente apresentou o Brasil como um parceiro estratégico para a descarbonização da indústria europeia, mencionando o potencial para produzir hidrogênio verde mais barato do mundo e a liderança histórica em biocombustíveis. “Hoje podemos mais uma vez provar que a paz e a cooperação são os verdadeiros alicerces da prosperidade compartilhada. Que as tecnologias mais avançadas do nosso tempo nos inspirem a construir um mundo mais seguro, mais sustentável para as atuais e futuras gerações”, defendeu o presidente. Durante a visita, está prevista a assinatura de dez acordos de cooperação em áreas estratégicas que vão desde inteligência artificial e defesa até bioeconomia e mudanças climáticas, reforçando o Brasil como um destino seguro para investimentos tecnológicos.
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