O Acampamento Terra Livre reúne cerca de oito mil lideranças indígenas em Brasília nesta semana. Na pauta das discussões, temas como o marco temporal, a demarcação de terras e a exploração de petróleo, gás e minerais em territórios tradicionais. O debate também abrange a crise climática, a democracia e as eleições. Neucimar Castro Martins, da etnia Arapium, do Pará, encarou uma viagem de ônibus de quase três dias até a capital federal. Ele conta que não veio passear, mas sim a negócios, em busca de soluções para o seu território. “Não é em vão que chegamos até aqui. Temos várias demandas, principalmente a demarcação do nosso território. Esse daí urgentemente, porque nós precisamos do nosso território. Estão, nós estamos aqui, não por injusta causa. É justa causa: nosso território e outras demandas em relação à saúde, educação, meio ambiente”. O acampamento marca as manifestações do Abril Indígena, mês de mobilização nacional e resistência. Saúde indígena A saúde é a principal preocupação do cacique Bedjai, da etnia Caiapó, do Pará. “Um assunto muito importante sobre a saúde indígena. Nós estamos aqui pra dar esse conhecimento que trazemos de aldeia para ATL. Na saúde indígena, a gente fica com muita dificuldade a questão dos profissionais, que não está tendo na ponta”. A abertura oficial do acampamento aconteceu na manhã desta segunda-feira (6). A programação conta com debates, apresentações culturais e duas grandes marchas na área central de Brasília. A primeira marcha será na terça-feira, até o Congresso Nacional, pela derrubada de pautas anti-indígenas. A outra será na quinta-feira, rumo ao Palácio do Planalto, para cobrar a demarcação de terras. Na sexta-feira, será feita a leitura do documento final com as propostas do encontro.
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