SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ao menos 26 pessoas morreram depois que dois barcos de migrantes naufragaram próximo à ilha de Lampedusa, no sul da Itália, informou a ONU (Organização das Nações Unidas) nesta quarta-feira (13). Filippo Ungaro, da agência da ONU para refugiados (Acnur), expressou “profunda angústia” com o episódio e disse que mais pessoas ainda podem estar desaparecidas no mar. Segundo a guarda costeira e funcionários das Nações Unidas, cerca de 10 pessoas continuam desaparecidas. A ONU e a Cruz Vermelha informaram que 60 pessoas foram resgatadas -56 homens e quatro mulheres- e levadas em segurança para a ilha. Segundo a agência de notícias Ansa, entre os primeiros corpos recuperados estão os de um bebê, três adolescentes e duas mulheres. De acordo com autoridades italiana envolvidas no resgate, o grupo com cerca de 96 pessoas vinha da área de Trípoli, na Líbia, em dois barcos. Uma das embarcações começou a afundar e eles transferiram-se para o outro barco, que mais tarde virou em águas agitadas. Segundo o Ministério do Interior da Itália, 38.263 migrantes chegaram ao país neste ano por via marítima, cruzando o mar Mediterrâneo. “Já houve 675 mortos desde o início do ano no Mediterrâneo Central”, escreveu Filippo Ungaro em sua mensagem no X, pedindo para “reforçar as vias legais” de imigração. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ofereceu suas “mais profundas condolências” às vítimas e prometeu intensificar os esforços para combater os traficantes de pessoas. Seu governo de extrema direita assumiu o cargo em outubro de 2022 comprometido a reduzir o número de migrantes que cruzam o Mediterrâneo. Desde então, firmou acordos com países do norte da África de onde partem os migrantes, fornecendo financiamento e treinamento em troca de ajuda para conter as saídas. “Quando ocorre uma tragédia como a de hoje, com a morte de dezenas de pessoas nas águas do Mediterrâneo, surge em todos nós um forte sentimento de consternação e compaixão”, disse Meloni em comunicado no qual condenou o “cinismo desumano” dos traficantes de pessoas. Enquanto isso, no Atlântico norte, a França anunciou que resgatou, nos últimos dois dias, quase 300 migrantes que tentavam chegar ao litoral inglês em embarcações precárias. Milhares de migrantes tentam atravessar a perigosa rota do Canal da Mancha. Uma mulher da Somália morreu na terça-feira (13), elevando para pelo menos 19 o número de migrantes mortos em 2025, segundo uma contagem da AFP com base em dados oficiais. Diversas operações de resgate foram realizadas na costa noroeste da França: 111 migrantes foram resgatados na terça e 164 na segunda-feira (12), de acordo com prefeituras locais. O número de travessias aumentou nos últimos dias, apesar da entrada em vigor de um acordo entre Paris e Londres na semana passada. O pacto prevê o retorno à França dos migrantes que chegam ao Reino Unido em pequenas embarcações. Em troca, Londres aceitará migrantes enviados por Paris, com base no princípio de “um por um”. O objetivo é dissuadir as pessoas que desejam atravessar o Canal da Mancha. O acordo será válido até junho de 2026. Leia Também: Se Putin não acabar com a guerra haverá “consequências muito graves”
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