Raúl Rodríguez Castro, neto e principal assessor do ex-ditador cubano Raúl Castro (2008-2018), deu entrevista ao USA Today (Foto: Ernesto Mastrascusa/EFE)
Raúl Rodríguez Castro, neto e principal assessor do ex-ditador cubano Raúl Castro (2008-2018), disse que está disposto a negociar com “qualquer pessoa” designada pelos Estados Unidos para chegar a um acordo entre os dois países, o que inclui o presidente americano, Donald Trump.
Rodríguez Castro fez as declarações em entrevista ao jornal USA Today, veiculada nesta segunda-feira (6). “Posso negociar com qualquer pessoa designada pelos EUA”, disse Rodríguez Castro. “Se me derem a oportunidade, claro que com Trump”, afirmou, neste último trecho falando em espanhol.
Em abril, uma reportagem publicada pelo The Wall Street Journal informou que Rodríguez Castro teria tentado entregar uma carta a Trump, para iniciar negociações em meio a ameaças da Casa Branca de realizar uma operação militar na ilha caribenha.
Segundo as fontes do WSJ, a mensagem extraoficial a Trump propunha acordos econômicos e de investimentos e o alívio das sanções e alertava que o regime cubano estava se preparando para uma incursão americana.
Porém, a pessoa por meio da qual Rodríguez Castro pretendia entregar a mensagem — Roberto Carlos Chamizo González, empresário cubano do ramo de aluguel de carros de luxo e turismo de alto padrão — foi mandada de volta para Havana, depois que um agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) o parou no aeroporto de Miami e apreendeu a carta.
A Casa Branca não confirmou se recebeu a carta; não se sabe por que o mensageiro foi retido no aeroporto.
Na entrevista ao USA Today, Rodríguez Castro disse que “nunca” se interessou por política. “Nunca foi uma vocação minha. Mas se, em algum momento, a revolução precisar que eu assuma a frente, eu o farei”, acrescentou.
Alegando que Cuba abriga bases militares e de inteligência de adversários dos Estados Unidos, o governo Trump vem aumentando desde o início do ano a pressão sobre a ditadura castrista, por meio da intensificação das sanções contra o regime, ameaças de que a ilha será “a próxima” após as ações militares americanas na Venezuela e no Irã e o indiciamento, em maio, de Raúl Castro, pelas mortes de quatro ativistas cubano-americanos no abate de dois aviões civis em 1996.


