Policiais e militares realizaram mais de 1,3 mil operações durante 13 dias de toque de recolher em quatro províncias do país. (Foto: Jonathan Miranda/EFE)
As forças de segurança do Equador detiveram 2.561 pessoas durante uma ofensiva realizada entre 17 e 29 de setembro em quatro províncias do país, segundo balanço divulgado pelo Ministério do Interior. As operações ocorreram durante o período em que o governo do presidente Daniel Noboa manteve um toque de recolher noturno nas regiões de Guayas, Los Ríos, El Oro e Santo Domingo de los Tsáchilas para reforçar o combate às facções criminosas.
Do total, 1.866 pessoas foram presas em operações relacionadas a crimes como extorsão, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e atuação em organizações criminosas. Outras 695 foram levadas pelas autoridades por descumprirem o toque de recolher.
Segundo o balanço oficial, policiais e militares realizaram 1.310 operações durante os 13 dias da medida. As autoridades também apreenderam mais de 8,1 toneladas de drogas, 215 armas de fogo, 3.792 munições, 246 veículos e 239 motocicletas.
O toque de recolher vigorava entre 23h e 5h e foi encerrado nesta terça-feira (29). A restrição havia sido adotada pelo governo em meio à ofensiva contra grupos criminosos que disputam rotas do narcotráfico e territórios em algumas das regiões mais violentas do país.
Guayas, cuja capital é Guayaquil, permanece como um dos principais focos da crise de segurança equatoriana. A região abriga o maior porto do país e se tornou estratégica para organizações que utilizam a costa do Equador para enviar cocaína principalmente aos mercados dos Estados Unidos e da Europa.
O Equador enfrenta nos últimos anos uma escalada de violência relacionada ao avanço de organizações criminosas locais e às conexões dessas facções com redes internacionais do narcotráfico. Grupos como Los Choneros e Los Lobos passaram a disputar territórios, presídios e corredores utilizados para transportar drogas até os portos do Pacífico.
Desde que declarou a existência de um “conflito armado interno”, em janeiro de 2024, Noboa ampliou a participação das Forças Armadas no combate às organizações criminosas e classificou dezenas desses grupos como terroristas.
A estratégia também passou a contar com maior cooperação dos Estados Unidos. Washington classificou Los Choneros e Los Lobos como organizações terroristas estrangeiras e ampliou ações conjuntas com autoridades equatorianas contra dirigentes e estruturas financeiras das facções.
Nesta semana, uma operação realizada por autoridades do Equador e da Colômbia, com participação do FBI, resultou na captura de Inda Mariela Peñarrieta Tuárez e Michelle Jamileth Macías Peñarrieta, respectivamente mulher e filha de José Adolfo Macías Villamar, o “Fito”, ex-chefe dos Los Choneros. As duas foram localizadas na Colômbia e eram procuradas pela Justiça equatoriana por suspeita de lavagem de dinheiro no caso conhecido como “Blanqueo Fito”. Fito está preso nos Estados Unidos, para onde foi extraditado para responder a acusações relacionadas ao narcotráfico.
Mesmo com o encerramento do toque de recolher, o governo afirmou que as operações policiais e militares contra as organizações criminosas continuarão nas regiões consideradas mais vulneráveis à atuação das facções.


