Por Natália Bianca Leandro de Moura* **Com a colaboração de Ana Carolina Marcondes, Ana Margarida Andrade dos Santos, Marco Aurélio Paz Tella, Monique Fernanda de Souza Silva, Laiane da Silva Avelar e Denis Faustino da Silva Nascido da mobilização de estudantes do curso de antropologia do Centro de Ciências Aplicadas e Educação da Universidade Federal da Paraíba (CCAE/UFPB), o projeto de extensão “Ouvir, refletir e agir: a sociedade do Vale do Mamanguape e as relações raciais” tornou-se um importante espaço de diálogo sobre racismo, identidade negra e educação antirracista na região. A iniciativa surgiu a partir da atuação de estudantes envolvidos em movimentos sociais, especialmente o movimento negro e o movimento de mulheres negras. O grupo também encontrou apoio em coletivos acadêmicos e em manifestações da cultura afro-brasileira, como a capoeira. Dessa articulação, nasceu o Núcleo de Estudantes Negras e Negros (NENN) do CCAE/UFPB, que deu origem às ações desenvolvidas posteriormente pelo projeto. Segundo os integrantes, o principal objetivo do projeto foi promover a educação antirracista como instrumento de enfrentamento às desigualdades raciais. Por meio de ações educativas, a iniciativa buscou estimular reflexões sobre o racismo estrutural e seus impactos nas relações sociais, econômicas e políticas da sociedade brasileira. As atividades foram realizadas tanto presencialmente quanto de forma on-line. Entre as ações promovidas estiveram rodas de conversa, palestras, debates, lives e divulgação de conteúdos educativos nas redes sociais. O projeto também compartilhou indicações de livros, artigos científicos, filmes, séries e podcasts produzidos por autores e pesquisadores negros, ampliando o acesso a conhecimentos relacionados às relações raciais. Além da universidade, as ações alcançaram estudantes do ensino médio da Escola Cidadã Integral Técnica Estadual Professor Luiz Gonzaga Burity, em Rio Tinto (PB), fortalecendo a aproximação entre a comunidade acadêmica e a sociedade local. O projeto colocou as experiências, os saberes e as trajetórias da população negra no centro das discussões. Questões como racismo estrutural, identidade negra, representatividade e acesso à educação foram trabalhadas em diferentes atividades formativas. Também houve destaque para a valorização de pesquisadores, lideranças e produções culturais negras da Paraíba e do Brasil. Uma das experiências mais marcantes relatadas pela equipe ocorreu durante uma oficina sobre a Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Durante a atividade, estudantes compartilharam vivências pessoais relacionadas ao racismo e refletiram sobre situações de discriminação presentes em seu cotidiano. O encontro possibilitou momentos de escuta, acolhimento e conscientização sobre direitos e formas de enfrentamento à violência racial. Para os organizadores, um dos principais resultados observados foi o fortalecimento da autoestima, do sentimento de pertencimento e da valorização da história e da cultura negra entre os participantes. As ações também contribuíram para o desenvolvimento de uma visão mais crítica sobre as desigualdades raciais presentes na sociedade brasileira. Atividade do projeto Ouvir, refletir e agir | Crédito: Acervo/Projeto Ouvir, refletir e agir Embora o projeto tenha encerrado suas atividades em dezembro de 2025, seu legado e memória permanecem disponíveis por meio dos materiais produzidos e divulgados em suas redes sociais, que continuam servindo como fonte de informação e reflexão sobre as relações raciais e a educação antirracista. Os conteúdos podem ser acessados pelo Instagram @ouvirrefletireagir. *Natália Bianca Leandro de Moura é indígena Potiguara, estudante de secretariado executivo pela UFPB e de letras–inglês, colaboradora voluntária no projeto de extensão Cocam e diretora-presidente da Empresa Júnior Inovasec Jr. **Este texto foi produzido com base em informações fornecidas pela equipe do projeto Ouvir, refletir e agir. Colaboraram com a construção do conteúdo: Ana Carolina Marcondes, Ana Margarida Andrade dos Santos, Marco Aurélio Paz Tella, Monique Fernanda de Souza Silva, Laiane da Silva Avelar e Denis Faustino da Silva. ***A opinião contida neste texto não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.
Ultimas Noticias
- Portuguesa Lídia Jorge vence Prêmio Camões de Literatura 2026
- Polícia Civil da Bahia promove evento da campanha Junho Violeta com palestra educativa e o Baile da Civil em homenagem às pessoas idosas em Valença
- Tudo pronto para o São Pedro de Nilo Peçanha, que começa nesta quinta-feira (2)
- POLÍCIA CIVIL DA BAHIA PROMOVE EVENTO DA CAMPANHA JUNHO VIOLETA COM PALESTRA EDUCATIVA E O BAILE DA CIVIL EM HOMENAGEM ÀS PESSOAS IDOSAS EM VALENÇA
- Amarelo toma conta das ruas e Rafa de Hildécio protagoniza um dos maiores atos políticos do 2 de Julho em Valença
- Sobe para 2.595 número de mortos em terremotos na Venezuela
- Brasil rebate EUA e diz que tarifaço prejudicaria empresas americanas
- Papa emérito Bento XVI morre aos 95 anos


