O pai de um imigrante colombiano morto a tiros por um agente federal no estado do Maine, nos Estados Unidos, na segunda-feira (13), descreveu o filho como “uma boa pessoa, criada com valores sólidos”, que trabalhava em dois empregos para sustentar a esposa e a filha de 3 anos. “Ele tinha uma grande visão de futuro, tantos sonhos para realizar”, disse Omar Durán, pai de Johan Sebastián Durán Guerrero, ao Noticias Caracol, um veículo de notícias colombiano, na terça-feira (14). “Meu filho era um filho maravilhoso — não sei por que fizeram isso com ele.” Guerrero, de 25 anos, morava em Biddeford, uma pequena cidade ao sul de Portland, onde trabalhava como entregador de comida e, durante a noite, como funcionário da limpeza em uma clínica veterinária. Duran afirmou que seu filho estava em situação migratória regular nos EUA. Nas horas seguintes à morte de Guerrero, ocorrida no quarteirão onde ele morava, surgiram informações sugerindo que agentes de imigração podem tê-lo confundido com outra pessoa. Um porta-voz do senador Angus King, do Maine, informou na segunda que o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, havia dito ao senador que os agentes estavam procurando outra pessoa. O Departamento de Segurança Interna informou que o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA) estava “realizando vigilância direcionada no último endereço conhecido de um estrangeiro em situação irregular com ordem final de deportação”. No entanto, o órgão não identificou a pessoa que o ICE procurava. Em seu comunicado, o departamento classificou Guerrero como um “estrangeiro em situação irregular” que “tentou fugir do local”, sem mencionar seu nome nem fornecer mais informações sobre sua situação imigratória. Guerrero era natural de Bucaramanga, uma cidade de aproximadamente 615 mil habitantes na região montanhosa do centro-norte da Colômbia. Em Biddeford, ele vivia em um prédio residencial antigo de três andares, ao lado de uma lavanderia automática, localizada na esquina onde foi baleado. Ele, sua esposa e a filha costumavam cumprimentar os outros moradores do bairro. “Eles eram sempre muito felizes e muito educados”, disse Don Gregoire, 69, cabeleireiro, sobre Guerrero e sua esposa. “Eu costumava regar minhas flores na frente de casa, e eles paravam para dizer: ‘Que flores bonitas.’ E a filhinha deles acenava.” A empresa DoorDash confirmou que Guerrero trabalhava como entregador. Em nota, informou que ele não estava trabalhando na manhã em que morreu. A morte provocou protestos intensos em Biddeford e na cidade vizinha de Scarborough, onde há uma instalação do ICE. A bancada do Maine no Congresso pediu uma investigação urgente sobre o caso em uma carta enviada na terça-feira a Joseph V. Cuffari, inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna. “Os fatos que cercam essa tragédia continuam sendo motivo de grande preocupação para a comunidade local e exigem uma apuração completa e imparcial”, escreveram na carta o senador independente Angus King, a senadora republicana Susan Collins e os deputados democratas Chellie Pingree e Jared Golden. “Dada a gravidade da situação e a compreensível ansiedade na comunidade de Biddeford, pedimos que esta investigação seja tratada como prioridade.” Em resposta à repercussão, o governo Trump ordenou que seus agentes suspendam a maioria das abordagens de veículos em todo o país. Collins afirmou que havia solicitado a Mullin a adoção dessa medida após a morte de Guerrero, o segundo caso fatal em duas semanas envolvendo agentes federais durante abordagens de trânsito. Na semana anterior, um agente do ICE matou a tiros um imigrante mexicano, Lorenzo Salgado Araujo, durante uma abordagem de trânsito em Houston. Posteriormente, o Departamento de Segurança Interna informou que Araujo também não era o alvo da operação. Uma vaquinha online criada por amigos da família Guerrero havia arrecadado US$ 150 mil (cerca de R$ 760 mil) até a tarde de terça-feira para ajudar a “cobrir despesas legais, custos do funeral e o traslado de seu corpo para a Colômbia, onde seus pais aguardam para dar a ele um sepultamento digno”, segundo a descrição da campanha. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Alguns vizinhos de Guerrero relataram detalhes chocantes da cena violenta e caótica na manhã de segunda-feira: o som de vários disparos e a visão de um carro branco, perfurado por tiros, dando voltas lentamente no cruzamento, com Guerrero ainda ao volante. Pouco depois de os agentes de imigração o retirarem do veículo, algumas pessoas viram a esposa de Guerrero, Karo Rojas, ajoelhada e chorando desesperadamente ao lado do marido na rua, enquanto a filha do casal observava a cena. Na terça-feira, Rojas compartilhou nas redes sociais fotos dos três sorrindo juntos. “Eu vou amar você todos os dias da minha vida”, escreveu ela.
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