O Paquistão e o Afeganistão trocaram ataques e bombardeios que deixaram cerca de 60 mortos nesta quinta-feira (26), e o ministro da Defesa de Islamabad, Khawaja Asif, declarou “guerra aberta” contra o Talibã afegão. A Força Aérea paquistanesa bombardeou as cidades de Cabul e Kandahar como retaliação a ataques do Afeganistão na fronteira entre os dois países da Ásia. Essas ações, por sua vez, foram uma resposta à decisão do governo paquistanês de agir contra militantes islâmicos que realizam atentados no Paquistão vindos de bases em território afegão, de acordo com o governo em Islamabad. Cabul nega dar refúgio a essas facções. “Depois dos ataques aéreos contra Cabul, Kandahar e outras províncias, realizamos operações de represália em grande escala contra posições de soldados paquistaneses”, disse nesta quinta o porta-voz do Talibã Zabihullah Mujahid. Mais tarde, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, disse que as forças de seu país “têm plena capacidade para esmagar quaisquer ambições agressivas” do vizinho afegão. “Toda a nação está ao lado das forças armadas do Paquistão”, acrescentou. Asif, o ministro da Defesa paquistanês, escreveu no X: “Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é uma guerra aberta entre nós e vocês [o Talibã]”. Autoridades paquistanesas ouvidas sob condição de anonimato dizem que 22 membros do Talibã foram mortos e que vários drones foram derrubados. O ministro do Interior paquistanês, Mohsin Naqvi, afirmou que esses ataques contra o Afeganistão constituíram uma “resposta apropriada” aos ataques de seu vizinho. “Os contra-ataques paquistaneses contra alvos no Afeganistão continuam”, disse Mosharraf Zaidi, porta-voz do governo paquistanês, em uma publicação no X, descrevendo a ação como uma resposta a “ataques afegãos não provocados”. Uma testemunha da agência de notícias Reuters em Cabul disse que muitas sirenes de ambulâncias puderam ser ouvidas após fortes explosões. Um vídeo divulgado por autoridades de segurança paquistanesas mostra clarões durante a noite, provenientes de disparos ao longo da fronteira, e o som de artilharia pesada. Outro vídeo mostra um prédio em chamas, que, segundo as autoridades, era um quartel-general do Talibã em Paktia. Zaidi, o porta-voz paquistanês, afirmou que 133 combatentes talibãs afegãos foram mortos e mais de 200 ficaram feridos, com 27 postos destruídos e 9 capturados. Mujahid, o representante afegão, afirmou que 55 soldados paquistaneses foram mortos e 19 postos tomados, enquanto 8 combatentes talibãs foram mortos e 11 feridos, além de outros 13 civis feridos em Nangarhar. Os confrontos mais recentes ocorrem após ataques aéreos paquistaneses no início desta semana, que, segundo Islamabad, visaram campos de treinamento de militantes do TTP (Tehreek-e-Taliban) e do Estado Islâmico no leste do Afeganistão. Além de negar que permita a operação desses grupos em seu território, Cabul alertou que retaliaria. Os dois países, que mantiveram relações cordiais por muito tempo, têm entrado em confronto esporadicamente desde que o Talibã assumiu o controle de Cabul em 2021. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A crise tem sua origem no grupo TTP do Paquistão, uma facção acusada por Islamabad de realizar ataques terroristas na região do Waziristão. O TTP busca combater o Estado paquistanês e impor a lei islâmica sobre o território, criando uma teocracia no país. O Waziristão é conhecido por ser refúgio de vários grupos islâmicos radicais que atuam tanto no Paquistão quanto no Afeganistão. As relações entre os países deterioraram-se consideravelmente nos últimos meses, com as passagens de fronteira terrestre permanecendo em grande parte fechadas desde os combates de outubro, que deixaram mais de 70 mortos em ambos os lados, embora os afegãos que retornam ao seu país ainda tenham permissão para atravessar a fronteira. Após um cessar-fogo inicial mediado pelo Qatar e pela Turquia, várias rodadas de negociações ocorreram, mas esses esforços não conseguiram produzir um acordo duradouro. A Arábia Saudita interveio este mês para facilitar a libertação de três soldados paquistaneses capturados pelos afegãos em outubro.
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