Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (8) a incorporação do Peru ao Escudo das Américas, iniciativa do governo de Donald Trump contra o crime organizado no continente que reúne governos de direita da América Latina. Em seguida, o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, também anunciou a entrada de Bogotá na coalizão; o secretário de Estado americano, Marco Rubio, esteve nesta terça na Colômbia como parte de uma viagem que, nos próximos dias, também incluirá o Peru e o Equador, países com governos de direita alinhados à Casa Branca. Ele deve se reunir no dia 10 de setembro com a nova presidente peruana, Keiko Fujimori, que já havia manifestado o desejo de integrar a coalizão internacional de combate ao crime. “Estamos coordenando esforços para proteger nosso hemisfério das ameaças transnacionais e regionais, dando as boas-vindas a Lima —agora um importante aliado extra-Otan— ao Escudo das Américas”, afirmou Rubio em um artigo de sua autoria, publicado em veículos de imprensa dos países que fazem parte de sua viagem. Espriella propôs a Rubio a elaboração de um plano para que a Colômbia modernize “aviões, radares, drones, helicópteros, sistemas antidrones” e outros equipamentos de defesa destinados ao combate ao narcotráfico. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Seu governo, iniciado em agosto, autorizou operações militares conjuntas com os EUA e, também no mês passado, recebeu o chefe do Comando Sul das Forças Armadas americanas para discutir sua estratégia de combate a grupos criminosos. O Peru, por sua vez, atravessa sua pior crise de segurança desde o conflito armado interno (1980-2000), com a expansão de grupos criminosos violentos dedicados à extorsão, ao sequestro e aos assassinatos por encomenda. Keiko, que assumiu o poder no fim de julho, prometeu durante a campanha combater com mão de ferro o avanço da criminalidade. Cercanías A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo Por meio do Escudo das Américas, os países coordenam o compartilhamento de informações e a cooperação judicial e para enfrentar o crime organizado além de suas fronteiras. A iniciativa reúne aliados de Washington como Argentina, Equador e El Salvador, embora países-chave na cadeia do combate ao narcotráfico, como México e Brasil, não tenham aderido. Em seu artigo, Rubio também criticou os investimentos feitos pela China no Peru. O país asiático é o principal parceiro comercial do país andino. “Enquanto os projetos apoiados pelo Partido Comunista Chinês ignoram os marcos legais do Peru e ameaçam a transparência e a segurança dos dados, o setor privado dos Estados Unidos está trazendo investimentos abertos” que “protegem os interesses de segurança do nosso hemisfério”, afirmou.
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