Lembram da tabela que Donald Trump segurou ao anunciar seu tarifaço para o mundo? Foi um cartaz nas mesmas dimensões que dois líderes da ultradireita europeia, o britânico Nigel Farage e o francês Jordan Bardella, seguraram dias atrás, posando para fotos em Birmingham, no Reino Unido. A diferença aparecia no conteúdo: o cartaz da dupla não anunciava tarifas, mas um “acordo histórico entre dois países, para interromper a imigração ilegal”. Fanfarronices. Farage e Bardella não são primeiros-ministros, cargos com que ainda sonham, portanto, e não fecham acordos bilaterais. Outro sinal da pouca seriedade do documento está na proposta de que barcos britânicos que capturem imigrantes no Canal da Mancha atraquem em solo francês, onde estes indivíduos serão presos e de lá deportados. O saldo da parceria de Bardella, que hoje preside o partido ultradireitista Reunião Nacional, foi unir o espectro político do país contra si, ainda que por um momento. Hoje a classe política francesa vive dias de ansiedade pelo avanço do extremismo, particularmente o de direita. Foi descrita como “estado de choque” a sua reação à vitória da AfD nas eleições em Saxônia-Anhalt, na Alemanha, partido definido como neonazista até por estudiosos mais renitentes. E esta vitória pode preceder outras tantas no continente, no mesmo campo ideológico. Fato é que a ultradireita encontra espaço de crescimento na Europa. Ela se vale de uma constelação de partidos de diferentes nacionalidades, a emplacar um discurso supostamente antissistêmico, de apelo popular, contrário à União Europeia, desejoso de novos alinhamentos políticos, habilmente explorando bandeiras comuns, como o rechaço à imigração e ao ambientalismo climático. Entre outros fatores, dois ajudam a explicar o fenômeno. Primeiro: a ultradireita não chegou ontem. O neonazismo na Alemanha já se esgueirava nos anos 1950 e levantou a cabeça após a unificação alemã. Nunca saiu completamente de cena. Quanto ao partido Frente Nacional, que uniu correntes esparsas da direita radical francesa, foi fundado por Jean-Marie Le Pen há mais de meio século. Ou seja, o tempo joga a favor destas agremiações, tornando iminente, e possível, a chegada ao poder. Um dos problemas do mundo político na França hoje, ao se deparar com a Reunião Nacional como favorita para as presidenciais de 2027, é lutar contra a percepção geral de que chegou a hora de Marine Le Pen governar. O desafio é este: como derrotar um discurso político feito de ideias instaladas? Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Muito já se falou sobre a “desdiabolização” do lepenismo por Marine Le Pen, que se afastou das posições mais polêmicas do pai, para tornar seu partido competitivo. Mas há limites para diluir o radicalismo sem perder apoio. Tanto é que a candidata já abriu seu velho baú de promessas, de onde sacou a ideia de um referendo nacional sobre imigrantes. Outro fator explicativo reside na internacionalização da ultradireita, com seus figurões frequentando uns aos outros. Ulrich Siegmund, líder da AfD, visitará Trump, que por sua vez debocha dos alemães. Bardella saiu do Reino Unido para encontrar os fratelli ideológicos na Itália. O presidente argentino Javier Milei deve animar a campanha do Vox, sigla da ultradireita espanhola. Se o TikTok distribui as ideias instaladas dessa turma a preços módicos, corporações e fundações jorram dinheiro grosso para financiar o “projeto”. O Brasil faz parte deste clube. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Ultimas Noticias
- Jornal Valença Agora Edição nº. 1115
- Instituto Mutá/CADI Valença participa do Festival ABCR e amplia articulação para novas parcerias
- Obras do Hospital e Maternidade Regional Costa do Dendê avançam em Valença
- Fachin dá 24h para Mendonça levantar sigilo de todo caso Master
- Zanin reitera pedido de acesso a dados de celular de Vorcaro
- Andrei Rodrigues nega que PF tenha monitorado ministro André Mendonça
- Veja como foi a sexta-feira (11) dos candidatos a presidente
- Mendonça levanta sigilo de quase 40 processos no STF


