Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, no norte da Inglaterra, conquistou uma cadeira no Parlamento nesta quinta-feira (18), um passo decisivo em seus planos de disputar com o primeiro-ministro Keir Starmer a liderança do Partido Trabalhista e do país. Burnham derrotou com facilidade um grupo de candidatos de mais de meia dúzia de partidos, obtendo 24.937 votos, cerca de 55%. Em breves declarações após a divulgação de sua vitória, Burnham disse que as pessoas haviam “votado pela mudança, votaram por mais poder para o norte, votaram pela esperança”. É uma mensagem que ele pretende levar para sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro. “Eu digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar”, afirmou Burnham. “Precisamos ouvir isso, precisamos agir de acordo com isso e precisamos acertar. Não haverá uma segunda chance, mas esta é a oportunidade, a partir do resultado desta noite, de construir uma nova política.” O Reform UK, partido populista de direita liderado por Nigel Farage, fracassou em sua tentativa de impedir a vitória de Burnham, apesar do sucesso em uma série de eleições locais no mês passado. Rob Kenyon, o candidato do Reform, teve um desempenho melhor do que o de seu partido nas eleições gerais de dois anos atrás, mas ficou em segundo lugar com 15.696 votos, ou cerca de 34% dos votos expressos. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Autoridades eleitorais anunciaram na madrugada desta sexta-feira (19) os resultados da eleição especial em Makerfield, região composta por antigas vilas de mineração de carvão e cidades mercantis. A vitória vai motivar os apoiadores de Burnham, que têm defendido que ele representa a melhor chance do Partido Trabalhista de desafiar o partido Reform. Em seu discurso, Burnham aludiu ao desejo de combater a ascensão de políticos populistas e polarizadores e, em vez disso, “unir as pessoas novamente”. Ele afirmou que sua vitória era uma chance para o país se afastar “do caminho que nos leva a uma política dividida e sombria, do tipo que vemos nos Estados Unidos”. Kenyon foi parcialmente prejudicado pela presença de um candidato representando o Restore Britain, partido de extrema direita que defende que Farage e seus seguidores não são extremistas o suficiente. O candidato do Restore obteve 3.111 votos, ou quase 7% dos votos. Mas, somados, os votos dos dois partidos de direita ainda teriam ficado muito aquém do número necessário para derrotar Burnham e vencer a disputa. Burnham pode agora iniciar o processo de tentar destituir Starmer, que se tornou um dos primeiros-ministros menos populares da história moderna da Grã-Bretanha. Ainda não está claro quando Burnham poderá desafiar o primeiro-ministro —e como Starmer reagirá. O primeiro-ministro afirmou que lutará para permanecer no cargo que conquistou há quase dois anos. Mas vários parlamentares trabalhistas declararam publicamente que Starmer deveria se afastar, para o bem do partido e do país, caso Burnham o desafie.
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