A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou, nesta terça-feira (28), por unanimidade, um projeto que declara a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, como persona non grata no país. A proposta foi apresentada pela deputada Iris Varela, do PSUV, o mesmo partido do presidente Nicolás Maduro. A medida foi justificada por conta da autorização para que os Estados Unidos realizem manobras militares em território trinitense. “Kamla Persad-Bissessar adotou uma postura belicista na região latino-americana e no Caribe, ao conceder autorização ampla à CIA e ao Comando Sul dos Estados Unidos para a perigosa realização de exercícios militares”, disse a deputada, ao fundamentar a apresentação do projeto. Esse é mais um capítulo da recente crise aberta entre as duas nações. Cronologia No domingo (26), o contratorpedeiro USS Gravely atracou em Porto Espanha, capital de Trinidad e Tobago, onde os fuzileiros navais dos Estados Unidos realizam treinamento militar. O arquipélago fica a uma distância de pouco mais de 10 quilômetros da costa venezuelana. A ação foi classificada como uma “provocação hostil” pela vice-presidenta venezuelana Delcy Rodríguez. Na segunda-feira (27), Maduro anunciou o desmantelamento de três operações mercenárias que seriam financiadas pela CIA. De acordo com o presidente do país caribenho, uma das ações incluiria um plano de autoataque, direcionado aos navios militares estadunideneses posicionados em Trinidad e Tobago, para justificar uma reação. Neste mesmo dia, Maduro anunciou que aprovou a suspensão dos acordos energéticos entre os países, o que inclui a interrupção do fornecimento de gás a Trinidad e Tobago. “Diante da ameaça da primeira-ministra [Kamla Persad-Bissessar] de transformar Trinidad e Tobago no porta-aviões do império estadunidense contra a Venezuela, contra a América do Sul, resta apenas uma alternativa”, disse o mandatário venezuelano. Tensionamento O tratado energético entre os dois países foi assinado em 2015. Além da venda de gás a Porto Espanha, o acordo também prevê a exploração conjunta de recursos naturais nas fronteiras marítimas entre as nações, explica Adrian Bonilla, professor de Relações Internacionais da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) no Equador. “Os dois países buscavam realizar uma exploração conjunta de jazidas, porque as reservas de hidrocarbonetos, seja gás, seja petróleo, se encontram na fronteira marítima entre as duas nações, que estão muito próximas. Para evitar conflitos pelo controle do espaço, foram assinados esses acordos. A ideia era compartilhar informação, tecnologia e, claro, também os eventuais lucros da perfuração desses poços. Isso é o que está suspenso neste momento e, provavelmente, entre as duas nações, em termos econômicos, é o ponto mais importante”, diz Bonilla. O analista diz que ainda é cedo para prever o futuro da exploração da área, mas projeta um cenário de novos conflitos entre as nações. “Não me parece que algum dos países estejam dispostos a deixar de explorar a região. Por isso, essa ruptura gera um cenário potencial de conflito que, talvez, evoque o uso de recursos militares para respaldar as posições dos países.” Bonilla afirma, ainda, que o apoio dos Estados Unidos poderia dar ao arquipélago uma vantagem substancial em uma possível disputa pela exploração dos recursos. “As capacidades militares venezuelanas são muito maiores que as de Trinidad e Tobago no plano militar. Mas a aliança de Trinidad e Tobago com os Estados Unidos inibe o uso dessas capacidades por parte da Venezuela.”
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