O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon discutiu com Jeffrey Epstein estratégias para “derrubar” o papa Francisco (1936-2025), segundo documentos recém-divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA e noticiados pela rede CNN. Mensagens trocadas entre o ex-conselheiro do presidente Donald Trump e Epstein em 2019 revelam que Bannon buscou apoio do empresário condenado por crimes sexuais para minar o pontífice, após deixar o primeiro governo do republicano. Epstein foi encontrado morto em sua cela, em uma prisão em Nova York, em agosto de 2019. Bannon era um crítico contumaz de Francisco, a quem encarava como opositor de sua visão “soberanista” e “antiglobalista”. Segundo a CNN, os documentos também mostram que Epstein estava ajudando Bannon a construir seu “O Movimento”, grupo populista e nacionalista, nos EUA e Europa em 2018 e 2019. “Vou derrubar o (Papa) Francisco”, escreveu Bannon para Epstein em junho de 2019. “Os Clintons, Xi, Francisco, UE – vamos lá, irmão.” Em 2018, o ex-assessor de Trump descreveu Francisco ao The Spectator como “desprezível”, acusando-o de ficar do lado das “elites globalistas” . Francisco era um contraponto à visão de mundo trumpista, criticando o nacionalismo e fazendo uma defesa enfática de migrantes e refugiados. Segundo a CNN, os arquivos do Departamento de Justiça mostram que Bannon enviou mensagens a Epstein em várias ocasiões, traçando estratégias contra o pontífice argentino. Em suas mensagens para Epstein, Bannon faz referência a “No Armário do Vaticano”, um livro de 2019 do jornalista francês Frédéric Martel. A obra afirmava que 80% do clero que trabalhava no Vaticano era gay e relatava como eles mantinham sua sexualidade em segredo. Bannon queria transformar o livro de Martel em filme e sugeriu a Epstein que o empresário fosse produtor-executivo. Martel afirmou ter dito a Bannon que não poderia assinar nenhum acordo de filme, pois suas editoras controlavam os direitos cinematográficos e já haviam assinado um acordo com outra corporação. Ele disse à CNN que acha que Bannon queria “instrumentalizar” o livro em seus esforços contra Francisco. O padre Antonio Spadaro, um funcionário do Vaticano que trabalhou de perto com Francisco, disse à CNN que as mensagens de Bannon mostram um desejo de fundir “autoridade espiritual com poder político para fins estratégicos”. “O que essas mensagens revelam não é meramente hostilidade em relação a um pontífice, mas uma tentativa mais profunda de instrumentalizar a fé como arma – precisamente a tentação que ele procurou desarmar.” Em outros documentos, Epstein brinca com seu irmão, Mark, sobre convidar Francisco para sua residência para uma “massagem” durante a visita papal aos EUA, em 2015. Três anos depois, ele envia mensagem a Bannon dizendo que está tentando “organizar uma viagem do papa ao Oriente Médio”, acrescentando “manchete – tolerância”.
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