Apenas um terço dos americanos diz aprovar o trabalho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos a pedido da agência de notícias Reuters e divulgada nesta segunda-feira (17). Trump havia registrado 35% e 34% em pesquisas do Ipsos em junho, e a taxa flutuou por volta de 36% em julho. O levantamento publicado nesta segunda mostra que o presidente americano continua perdendo apoio, embora a variação esteja dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Enquanto 33% dos 1.116 entrevistados pelo Ipsos dizem aprovar o trabalho de Trump, outros 64% afirmam desaprovar, enquanto 3% não souberam responder. A última vez em que o republicano foi tão mal avaliado foi em dezembro de 2017, ao final de seu primeiro ano no poder, quando também marcou 33% em uma pesquisa Ipsos. A principal crise enfrentada pela Casa Branca hoje é a guerra no Irã, iniciada em fevereiro por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e da qual o americano não consegue se retirar. Na pesquisa desta segunda, 80% dos americanos dizem acreditar que o conflito ainda vai durar “muito tempo”. Após o colapso de um cessar-fogo acertado em junho —e criticado nos EUA pelos termos favoráveis ao Irã—, o país persa continua no controle do estreito de Hormuz, via marítima crucial para o escoamento de petróleo e gás dos países do Golfo. Nesta segunda, em uma demonstração pública de frustração, Trump ameaçou atacar o Omã, aliado americano na região, que atua como mediador no conflito. O prolongamento da guerra —que duraria apenas “de quatro a cinco semanas”, segundo Trump, mas que já se aproxima dos seis meses— causou uma disparada no preço dos combustíveis ao redor do mundo, inclusive nos EUA. O descontentamento dos americanos com a inflação piora a situação do republicano, que se prepara para liderar seu partido nas eleições de meio de mandato, quando os EUA renovam toda a Câmara dos Deputados e um terço do Senado. Caso a oposição recupere o controle da Câmara, o que parece provável, as prioridades legislativas de Trump, como maior orçamento para sua campanha de deportação em massa e para o Pentágono, devem encontrar dificuldades. Se o Partido Democrata, entretanto, desafiar expectativas e conseguir também maioria no Senado, Trump corre o risco de sofrer um impeachment e ser removido do cargo. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Ainda assim, Trump está longe de ser o presidente americano com a menor taxa de aprovação da história. Desde que a pesquisa Gallup, a mais conhecida do setor, começou a ser publicada nos anos 1930, cinco ocupantes da Casa Branca registraram índices abaixo dos 30%: George Bush filho, George Bush pai, Richard Nixon, Jimmy Carter e Harry Truman —que detém a menor taxa da história. Truman, o presidente que concluiu a Segunda Guerra Mundial e tomou a decisão de lançar bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, deixou o cargo com uma aprovação de 22%, fustigado pela opinião pública americana após se envolver na Guerra da Coreia em 1950. Por outro lado, Trump tem a menor aprovação média da história —41% em seu primeiro mandato— e é o único presidente americano a jamais registrar mais de 50% em uma pesquisa Gallup. Em 2020, o republicano atingiu a máxima histórica de 49%, distante de seu antecessor, Joe Biden, cuja máxima foi de 57%. Barack Obama chegou a ter a aprovação de 69% dos americanos, enquanto o recorde absoluto pertence a Bush filho —que marcou 90% em uma pesquisa publicada dez dias depois dos ataques do 11 de Setembro.
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