A Ucrânia lançou nesta quinta-feira (18) o maior ataque com drones dos últimos dois anos contra Moscou, o que provocou incêndios na capital da Rússia e em suas imediações e interrompeu as operações dos principais aeroportos, com centenas de voos atrasados. Vários drones atingiram uma importante refinaria da capital russa, no que o prefeito da capital, Serguei Sobianin, definiu como um ataque “em larga escala”. Ele não revelou a extensão dos danos. Grandes colunas de fumaça foram observadas sobre a periferia sul da capital. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que o país realizará “ataques coordenados em larga escala e com regularidade” em resposta à operação de Kiev. A refinaria MNPZ, no distrito de Kapotnia, teve um grande incêndio causado pelos drones. O ataque é uma “resposta plenamente justificada aos ataques russos contra nossas cidades”, afirmou nas redes sociais o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. “O mais importante é que o povo russo comece a sentir que é um só homem, [Vladimir] Putin, quem trava esta guerra, enquanto as pessoas comuns pagam o preço”, declarou o ucraniano. “Nós não queremos esta guerra e jamais a quisemos. Mas se a Ucrânia queima, a sua Moscou também vai queimar”, afirmou. Na terça-feira (16), outro ataque ucraniano com aeronaves não tripuladas contra a mesma refinaria MNPZ, responsável por mais de um terço das necessidades de combustível da capital russa, já havia incêndio e danos. O novo ataque é o maior contra Moscou em pelo menos dois anos, segundo a agência estatal russa Tass. A ação coincide com a reunião de Putin com líderes da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático) em Kazan, quase 700 km ao leste de Moscou. O presidente não fez qualquer menção ao ataque no discurso de abertura do evento. Esta é a segunda vez neste mês que Kiev executa um grande ataque durante um evento internacional organizado na Rússia. No início do mês, as forças ucranianas atingiram a região de São Petersburgo durante um fórum econômico. O ataque ucraniano com drones forçou o fechamento dos aeroportos de Moscou por algumas horas e provocou o atraso de centenas de voos. O aeroporto mais importante da capital, Sheremetievo, anunciou que precisou transferir passageiros para “locais seguros” durante o ataque. Outro drone atingiu um edifício residencial na região de Jukovski. Os destroços de outro aparelho provocaram um incêndio em um centro comercial perto da capital, informou o governador da região, Andrei Vorobiov. As defesas antiaéreas derrubaram 180 drones que se aproximavam de Moscou, segundo o prefeito Sobianin. O Ministério da Defesa afirmou que interceptou mais de 500 drones ucranianos em todo o país durante a madrugada. Um ataque ucraniano contra a região russa de Rostov, no sul do país, matou uma pessoa e deixou duas feridas, segundo o governador regional. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Nos últimos meses, Kiev intensificou as operações com drones contra refinarias de petróleo, um ativo fundamental para o esforço de guerra russo, no momento em que as negociações diplomáticas para acabar com o conflito parecem estagnadas. Zelenski chama esses ataques de “sanções de longo alcance”. “É hora de acabar com a guerra, e a Rússia deve adotar os passos necessários no campo diplomático”, afirmou. Por sua vez, a Rússia lançou mais de 200 drones e vários mísseis balísticos contra a Ucrânia entre a noite de quarta e a manhã de quinta, segundo a Força Aérea ucraniana. Apesar das represálias da Ucrânia e dos efeitos sociais e econômicos do conflito, Putin se esforça para projetar uma imagem de normalidade com eventos como o de Kazan, que tem a presença de líderes de Tailândia, Vietnã, Camboja, Laos, Malásia, Singapura e Filipinas. Os ataques mais recentes, no entanto, obrigaram uma série de mudanças práticas. Depois de Kiev atacar o país durante o Fórum Econômico de São Petersburgo, o presidente russo prometeu reforçar as defesas antiaéreas. A Autoridade Federal de Aviação proibiu nesta semana que drones e aeronaves civis leves sobrevoem o espaço aéreo de Moscou. Autoridades russas também restringiram a publicação de fotos e vídeos de locais atingidos por drones ucranianos. Na reunião de cúpula do G7 realizada nesta semana na França, o presidente americano, Donald Trump, insistiu que Moscou precisa aceitar “um acordo” para acabar com o conflito. Também disse que poderia restabelecer “em breve” as sanções ao petróleo russo. Putin se recusa a ter uma reunião presencial com Zelenski. Moscou insiste que seu objetivo no momento é tomar a totalidade da região ucraniana do Donbass, que já ocupa em grande parte. A ofensiva russa lançada em fevereiro de 2022 contra a Ucrânia é o conflito mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A guerra já provocou centenas de milhares de mortes.
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