Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia (Foto: Tom Kalnins/EFE)
A União Europeia (UE) concluiu que seus países ainda não estão se rearmando com velocidade e eficiência suficientes para atingir a meta de estar preparados para se defender de uma eventual agressão russa até 2030. O diagnóstico aparece no primeiro Relatório Anual de Prontidão de Defesa do bloco, elaborado pela Agência Europeia de Defesa (EDA), ao qual a agência Reuters afirma ter tido acesso nesta quinta-feira (24).
Segundo o documento, os atuais planos dos países europeus não parecem suficientes para eliminar deficiências consideradas essenciais em áreas como defesa aérea e antimísseis, forças terrestres, capacidade naval, estoques de munição e drones. A agência afirma que a Europa terá de avançar “substancialmente mais rápido” para atingir o nível de prontidão estabelecido para o fim da década.
O relatório reconhece que os países europeus elevaram os gastos militares e avançaram no desenvolvimento de novas capacidades, mas afirma que esses investimentos ainda não resultaram em forças suficientemente preparadas para serem mobilizadas, mantidas em operação e empregadas de forma conjunta. “O que foi alcançado até agora, embora sem precedentes, ainda não é suficiente”, afirma o documento, segundo a Reuters.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, alertou nesta quinta-feira para a necessidade de acelerar a preparação militar do Ocidente. Durante um evento no Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, ele afirmou que uma invasão russa em grande escala contra um território da aliança é atualmente “altamente improvável”, mas advertiu: “Ainda assim, não podemos ser ingênuos”.
Segundo Rutte, a Rússia está ampliando fortemente sua produção militar e direcionando grande parte de sua economia para o esforço de guerra. Ele afirmou que Moscou gasta atualmente cerca de 12% de sua renda nacional e quase metade do orçamento estatal com defesa. “A Rússia está aumentando maciçamente sua produção”, disse.
O secretário-geral acrescentou que a Otan é mais forte que a Rússia e está preparada para defender “cada centímetro” de seu território caso Moscou ataque algum integrante da aliança. Rutte, porém, defendeu que os países europeus continuem elevando os gastos militares e expandindo sua capacidade industrial de defesa.
A avaliação da UE foi encomendada pelos líderes dos 27 países do bloco para medir o progresso do plano de reforço militar adotado diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia. A meta estabelecida é alcançar maior capacidade de defesa própria até 2030.
Dados divulgados pela Agência Europeia de Defesa mostram que as despesas militares dos 27 países chegaram a 418 bilhões de euros em 2025 e devem alcançar 454 bilhões de euros em 2026, o equivalente a aproximadamente 2,4% do PIB do bloco.
A UE definiu como prioridades a expansão da defesa aérea e antimísseis, sistemas de artilharia de longo alcance, mísseis e munições, drones e sistemas antidrones, mobilidade militar, guerra eletrônica e capacidades terrestres e marítimas.
Apesar do aumento do orçamento, o relatório alerta que ainda existem diferenças entre os equipamentos e estruturas militares dos países, o que dificulta a atuação conjunta em uma eventual guerra. Também permanecem lacunas em estoques e capacidades que precisariam ser rapidamente ampliadas em caso de conflito prolongado.
A preocupação da Europa com Moscou aumentou desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Moscou afirma que não pretende atacar integrantes da União Europeia ou da Otan e acusa governos europeus de promover alarmismo.
Os ministros da Defesa da UE devem discutir o relatório em Bruxelas na próxima segunda-feira (28). Depois, o documento será encaminhado aos líderes dos países do bloco para orientar as próximas etapas do plano de rearmamento europeu.


