Um levantamento do Ministério Público Federal (MPF) mostra que a Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas atuou em mais de 1,1 mil processos judiciais no último ano e meio. Para se ter uma ideia, de 2025 até junho deste ano, a força-tarefa denunciou 216 pessoas à justiça, sendo 79 por tráfico internacional de seres humanos, com 299 vítimas identificadas, e outras 137 por contrabando de migrantes. Segundo o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas de 2025, o Camboja foi o principal destino de brasileiros traficados, seguido por Israel, Itália, Bélgica e Albânia. Pela primeira vez, a exploração sexual ultrapassou o trabalho escravo como principal finalidade do crime, e as mulheres já são mais da metade das vítimas. No ano passado, o MPF enviou 43 pedidos de auxílio jurídico a outros países e recebeu 36 pedidos de autoridades estrangeiras. Centralização das investigações A unidade foi criada em 2024 para concentrar as investigações, que antes eram tocadas de forma isolada por procuradores em diferentes estados. Segundo o MPF, essa centralização ajudou a identificar ligações entre casos espalhados pelo país. A legislação prevê pena de quatro a oito anos de prisão para o tráfico de pessoas e de dois a cinco anos, além de multa, para o contrabando de migrantes. Os dados foram divulgados durante a campanha Julho Azul, que marca o Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas, celebrado no dia 30.
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