A Marinha do México ativou, na quinta-feira (26), uma operação de busca e resgate para localizar dois veleiros que transportavam ajuda humanitária a Cuba e perderam contato no Caribe. As embarcações Friendship e Tiger Moth partiram de Isla Mujeres, no estado de Quintana Roo, em 20 de março, como parte da flotilha Nuestra América, com destino a Havana. Ao todo, nove pessoas de diferentes nacionalidades estavam a bordo. Segundo o governo mexicano, não houve confirmação de chegada nem novas comunicações dos veleiros, o que levou a Secretaria de Marinha a acionar de imediato os protocolos de localização. De acordo com o governo mexicano, a chegada das embarcações era esperada entre os dias 24 e 25 de março, segunda e terça-feira desta semana. Entretanto, um porta-voz do comboio Nuestra América afirmou que, com base na velocidade reportada às autoridades marítimas cubanas, a organização prevê a chegada entre a noite de sexta-feira (27) e o meio-dia de sábado (28). Na mesma declaração enviada ao Brasil de Fato, o porta-voz disse que os capitães e tripulações são marinheiros experientes, que as duas embarcações estão equipadas com sistemas adequados de segurança e sinalização e que o comboio segue cooperando “plenamente com as autoridades”, além de ecoar o apelo da Marinha mexicana por informações ou avistamentos dos veleiros. O caso mobiliza autoridades de vários países. Além da operação mexicana, há comunicação com centros de salvamento marítimo de Cuba, Estados Unidos, França e Polônia, assim como com representações diplomáticas dos países de origem dos tripulantes. Também em Cuba, o presidente Miguel Díaz-Canel afirmou que o país faz “todo o possível” na busca e no salvamento dos ocupantes das embarcações. Expresamos nuestra especial preocupación por las dos embarcaciones mexicanas que transportaban ayuda solidaria a #Cuba como parte del #ConvoyNuestraAmérica. Desde nuestro país hacemos todo lo posible en la búsqueda y salvamento de estos hermanos de lucha.— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) March 27, 2026 A operação mobiliza comandos navais sediados em Isla Mujeres e Yucalpetén, além de estações de busca, resgate e vigilância marítima. Também foram emitidos alertas à comunidade marítima, incluindo embarcações comerciais, pesqueiras, recreativas e plataformas que operam na região. De acordo com a Marinha mexicana, unidades de superfície e aeronaves foram deslocadas para a rota estimada entre Isla Mujeres e Havana. As buscas consideram o trajeto previsto, possíveis desvios, as condições meteorológicas e marítimas no Caribe e as zonas prováveis de deriva. Segundo as autoridades, há ainda coordenação com a Capitania do Porto de Isla Mujeres e com instâncias técnicas voltadas à análise de informações marítimas, além de monitoramento permanente para atualização do plano de ação. O desaparecimento ocorre em meio ao agravamento da crise de abastecimento e energia em Cuba, que tem ampliado a dependência da ilha de ações de solidariedade e envio de suprimentos. Desde janeiro, voluntários e organizações vêm intensificando esse tipo de iniciativa diante da escassez de insumos e dos apagões registrados no país. Na terça, um dos barcos da flotilha Nuestra América chegou a Cuba com ajuda humanitária vinda do México, em uma missão internacional de solidariedade que levou alimentos, medicamentos, produtos de higiene e painéis solares. No dia seguinte, um dos articuladores da missão, o brasileiro Thiago Ávila, foi detido durante uma conexão no aeroporto de Tocumen, no Panamá, onde ficou incomunicável e sob interrogatório, segundo sua equipe, após retornar da participação na flotilha.
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